- O que é mais difícil para você: o sentimento ou a ação?
- Para mim, o sentimento é anterior à ação. Sempre. Eu faço previsões, eu simulo, inverto os papéis. Eu diria que o sentimento é mais difícil porque eu não posso enganá-lo e ele insiste em me enganar muitas e muitas vezes. É um hóspede maldito.
- E as suas ações, o que revelam?
- As minhas ações revelam o quanto eu concordo com relação ao que eu sinto. A ação é o mais importante de tudo porque ela é aquilo que se vê.
- Qual a principal distinção entre ação e sentimento?
- Toda ação é finita. Ela tem hora para começar e acabar; quando falamos de sentimento, falamos de eternidade. O sentimento nunca acaba, apenas se transforma. Não há fim, o recomeço é persistente.
- Isso é capaz de justificar o fato de você se notar "perdido em sentimentos"?
- De certa forma sim. Um sentimento não começa quando um outro termina. Há o momento do conflito, do duelo. E é isso que estou vivendo.
- Se pudesse descrever isso em uma ação, qual seria?
- Seria como trocar de pele: durante certo intervalo eu teria que expor as vísceras ao sol. É o inevitável.
- Você não tem medo de que esse conflito seja eterno?
- Eu não tenho controle sobre isto; assim, sinto medo. Também se torna difícil porque ninguém é capaz de me ajudar. É uma guerra de um único soldado.
- Você definiria esse conflito como sofrimento?
- A palavra 'sofrimento' está tão banalizada quanto o amor. Eu definiria este conflito apenas como um dia chuvoso durante as minhas férias na praia. A minha felicidade vai depender do quanto eu sou grato por ter um abrigo da chuva ou do quanto eu lamento por ver meus planos arruinados. Ou eu olho pro céu e agradeço, ou peço para parar de chover. O que deve reinar é a consciência de que o céu não tem ouvidos.
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Texto rabiscado no início da manhã. A razão da minha insônia? Eu prefiro não lembrar, porque estou louco pra dormir.