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terça-feira, 10 de março de 2009

Masoca Total

- Mãe, olha só meu piercing novo!
- No mamilo, meu filho? Que perigo!
- Mas tá na moda mãe. O Bozo tem, a Fer também, a Su, a Lu, a Ana, a Ju, o Plínio, o Rô... todo mundo tem!
- Tira isso agora!! Nesse tempo de chuva, vai acabar puxando raio!
- Que nada mãe, já botei o mamilo na tomada e nem deu nada!
- Vem aqui Juninho! Vou arrancar isso agora de você!
- Não mãe... pára com isso, não puxa, tá doendo!! Pára, pára! ... Espera aí ... Vai! Puxa, não pára, vai!! Puxa mais forte!... Não pára, não pára, não pára não!

=D

Porque ser jovem é ser indecifrável.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Polaroid de Família

- Meu Deus Lobato, uma bunda na televisão! Vai Lobato, levanta homem! Tira o menino da sala! Coitada da mamãe, 85 anos sendo obrigada a ver isso também!... Vai Lobato, muda de canal, por Nossa Senhora de Fátima!!!

- Mas mãe, eu já vi uma bunda maior do que essa. É a da Dona Carmen, que mora ali na rua de baixo.

- Menino, isso é coisa que se fale perto da sua avó. Coitada, 85 anos...

- Mas a vó falou pra mim que ela já tirou foto pelada quando era mais nova.

- Menino fique quieto antes que eu enfie o chinelo na sua boca!!

- Mas é verdade, não é vovó?

- É sim querido. Quando eu era mais nova...

- Princesa Isabel ainda era viva!

- Pois é Lobato, e você ainda tinha ereção!

- Mamãe!!! Não fale isso perto do Renatinho e o Lobato... O Lobato é um foguete de homem mamãe!

- É mesmo. Até porque a gente só vê foguete subir uma vez por ano! E olhe lá. Quando você me apresentou o Lobato eu bem que disse: Não decola!

- Mamãe!!

- Ah deixe a velha falar. Nessa idade, ela não sabe mais a diferença entre um homem e uma estátua.

- Ah Lobato, a estátua é dura. D-U-R-A. Pois sim...

- Ah mas essa velha pensa que é uma mocinha ainda?! Saiba a senhora que estou pagando a última parcela da sua oitava dentadura.

- Está pagando a prestações porque comprou viagra à vista!

- Ah velha danada!

- Sossega Lobato, vai começar o Globo Repórter!

...


- ... no Globo Repórter de Hoje, os problemas sexuais que atormentam os homens brasileiros...

- Viu Lobato! A sua moleza está comovendo o país!

- Cala a boca velha danada. E deixa eu ver TV em paz!

- Lobato, levanta a cabeça pra assistir. Le-van-ta!

- Alguém dê um tiro nessa velha!...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vermelho era a cor dos meus olhos

- Eu julgava ser mais forte, mas desisto de você.
- Eu esperei muito por esse dia, é o dia da coragem. Eu não quero ficar com você. Eu tive medo de dizer.
- Eu pensei que estava fazendo papel de palhaço, mas eu só estava te imitando.
- Não foi covardia, eu evitava um dia triste. Eu evitava dias nublados.
- Fizesse chover, eu havia lançado a semente.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Em Poucas Palavras

- Sabe aquela estrela ali? Ela me persegue. A primeira vez que eu a vi, ela estava nos olhos dele.

- Às vezes a gente vê estrelas que já se apagaram há muito tempo. Para o nosso desespero, existe a distância.

- E quando as ilusões acabarem, o que vai acontecer?

- Você vai perceber que não está mais viva.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Coração Insone

- O que é mais difícil para você: o sentimento ou a ação?

- Para mim, o sentimento é anterior à ação. Sempre. Eu faço previsões, eu simulo, inverto os papéis. Eu diria que o sentimento é mais difícil porque eu não posso enganá-lo e ele insiste em me enganar muitas e muitas vezes. É um hóspede maldito.

- E as suas ações, o que revelam?

- As minhas ações revelam o quanto eu concordo com relação ao que eu sinto. A ação é o mais importante de tudo porque ela é aquilo que se vê.

- Qual a principal distinção entre ação e sentimento?

- Toda ação é finita. Ela tem hora para começar e acabar; quando falamos de sentimento, falamos de eternidade. O sentimento nunca acaba, apenas se transforma. Não há fim, o recomeço é persistente.

- Isso é capaz de justificar o fato de você se notar "perdido em sentimentos"?

- De certa forma sim. Um sentimento não começa quando um outro termina. Há o momento do conflito, do duelo. E é isso que estou vivendo.

- Se pudesse descrever isso em uma ação, qual seria?

- Seria como trocar de pele: durante certo intervalo eu teria que expor as vísceras ao sol. É o inevitável.

- Você não tem medo de que esse conflito seja eterno?

- Eu não tenho controle sobre isto; assim, sinto medo. Também se torna difícil porque ninguém é capaz de me ajudar. É uma guerra de um único soldado.

- Você definiria esse conflito como sofrimento?

- A palavra 'sofrimento' está tão banalizada quanto o amor. Eu definiria este conflito apenas como um dia chuvoso durante as minhas férias na praia. A minha felicidade vai depender do quanto eu sou grato por ter um abrigo da chuva ou do quanto eu lamento por ver meus planos arruinados. Ou eu olho pro céu e agradeço, ou peço para parar de chover. O que deve reinar é a consciência de que o céu não tem ouvidos.

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Texto rabiscado no início da manhã. A razão da minha insônia? Eu prefiro não lembrar, porque estou louco pra dormir.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Gente Fina

- Sabe aquela vontade de colocar tudo pra fora, mandar embora?

- Bulimia nervosa?

- Algo menos literal, suponho.

- É mesmo. Você nem está magra...

- Só vazia.

- Esse é o seu problema: as figuras de linguagem. Você quer terminar? Então diga: Eu quero terminar. Você quer largar o emprego? Então diga: Estou caindo fora. Você quer meter a mão na cara de alguém. Não diga nada. Vá direto à ação.

- Simplesmente não consigo. Existe um abismo entre o que eu digo, o que eu queria dizer e o que acaba acontecendo.

- É porque você acha que sempre alguém tem que sair ferido de uma conversa sincera. E você sempre acha que é melhor que esse alguém seja você. A verdade é que você não sabe fazer escolhas. Numa situação assim, é melhor sempre livrar a barra de todo mundo. Se isso não for possível, é melhor livrar a sua. Se isso também não for possível, é melhor detonar com todo mundo.

- Desumano demais, não acha?

- O oposto! Pensar em você não faz mal à saúde.

- Mas também não emagrece.

- Enfim, pense no que eu te disse não como uma lição de filosofia, mas como algo que você precisa exercitar sempre. Então, o que você deve fazer após as refeições?

- Vomitar, escovar os dentes e dar um fora em alguém. Não necessariamente nessa ordem.

- Boa menina! Me liga quando estiver magra e desbocada.

- Beijo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ensaio

_ Eu estava sentado, montando um quebra-cabeça e me flagrei pensando em você. Meus olhos ficaram cheios d'água. É que eu sou tão tímido que fiquei com vergonha de você saber disso um dia. É que eu tenho tanta esperança, que fiquei com medo de que você nunca soubesse desses pensamentos que tenho ao seu favor. São apenas hipóteses que tentam inutilmente justificar essa umidade em torno dos meus olhos. Não sei se estou comovido, não sei se estou triste. É tudo tão claro e tão confuso ao mesmo tempo... É que gostar de alguém, do jeito que eu gosto de você, é uma coisa nova pra mim. E eu queria tanto, tanto, que você me adivinhasse, que você pensasse igual. Então não seria preciso eu passar pelo vexame de dizer que eu sou louco por você. Sinto ciúme e você nem sabe. Desde o primeiro dia em que te vi, eu quis te ver pra sempre. Estou sendo ridículo? Previsível demais? Talvez exagerado? Não!? Não imaginava que eu estivesse terrivelmente apaixonado por você? Eu não correspondi a todas as suas indiretas? É que eu sou péssimo pra isso! E eu tive medo de me entregar tão fácil a ponto de te frustrar, ou então parecer vulgar ou só mais um qualquer... Eu ensaiei tanto ontem pra te falar tudo isso! Não, não é que não seja verdadeiro. Foi só pra não esquecer nadinha de tudo o que eu queria te dizer. Ensaiei tanto que o espelho lá de casa deve ter ficado entediado! Agora eu estou aqui, na sua frente, possivelmente com cara de bobo, esperando você dizer alguma coisa antes que eu morra de vergonha, de alegria, de ansiedade, de tudo! Vai, diz alguma coisa!

Só que você não disse. Porque tudo isso eu só pensei. Não falei. Ainda.
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*Dedicado a alguém [muito especial] que ainda não sabe exatamente da minha existência.
A-i-n-d-a.

*O primeiro texto da série Diálogos foi, sem querer, um monólogo =)