quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Feito Puta na Quaresma

É assim que estou.
Tempo errado,
pensamento certo.
Tempo certo,
comportamento errado.
É colheita sem planta.
Corda dada,
relógio que não adianta.
Segundo que não forma a hora.
Saudades do que eu não tenho agora.
Cigarro na mão,
roupa no chão.
Fumaça que embaça.
Uma antiga visão.
Se da minha vida sou dono,
te empresto, sem aluguel.
Faça dela bom proveito,
mas devolva em boas condições.
Pago com o corpo as dívidas que faço.
Se dão nota de dez, o troco eu
não tenho.
Na face sem traço
a gratidão e o sofrimento mostram-se iguais.
Entre o homem que vou ser
e o menino que fui
não há ponte,
há precipício.
Esboço de vida.
Peça sem ensaio.
Erros protagonistas.
Entre a boa e má conduta,
sinto muito,
mas sou uma puta.

//texto pessoal[:)]

sábado, 26 de julho de 2008

Can you hear the dolphin's cry?

Life is like a shooting star
It don't matter who you are
If you only run for cover, it's just a waste of time
We are lost 'til we are found
This phoenix rises up from the ground
And all these wars are over
Over, over, over
So we can go together
Love will lead us, alright
Love will lead us, she will lead us
Can you hear the dolphin's cry?
See the road rise up to meet us
It's in the air we breathe tonight
Love will lead us, she will lead us

by Live

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Sintoma de Liberdade

Você tenta ser diferente, mas chega dia 10 e você tem um monte de contas a pagar. Enfrenta uma fila de dezenas de pessoas que estão na mesma que você. Você tenta ser diferente, diz que não liga pra opinião dos outros, mas quando os outros falam mal de você seu sangue ferve, a garganta grita. Soa a raiva, a mentira, a contradição. Você diz que parou de beber como quem acaba de ganhar um filho. E bebendo você acaba fazendo um filho. Gera a confusão, a dúvida, a alegria. Você tenta ser despojado. Diz que sexo a três, casamento gay, macumba e estampa de girafa são frutos que o mundo moderno há de degustar sem fazer cara feia. Mas quase desmaia vendo um casamento de três gays vestindo blusa com estampa de girafa numa daquelas religiões que fazem macumba num dia, vendem frango no outro. Você tenta estar na moda, tenta parecer magro. Mas muita gente sabe que a camiseta que você usa pra dormir já fez o mesmo tanto de aniversários que você. Você tenta subir de classe social, compra um daqueles tênis que custam um salário mínimo, que no caso, é o seu salário. Mas de nada adianta, as duas meias que você usa nem formam um par, uma de cada cor, as duas furadas. Você tenta ser diferente, assiste filme europeu. Mas não pode falar com os amigos sobre isso porque você não entendeu o começo, nem o meio, muito menos o final e também não sabe falar o nome do filme, porque o título vem de algum idioma onde x, ç, w, acento agudo e asterisco estão presentes em uma mesma palavra. Você tenta ser diferente, acaba escrevendo um texto pra mostrar que todo mundo é igual, desde leitor de terno e gravata até o gay com estampa de girafa. E não tem sucesso. O sintoma da liberdade é o respeito. Você só pode ser livre quando deixa o outro voar. Mesmo sendo diferente, mesmo sendo igual, todo mundo é gente e toda loucura é normal.


//texto pessoal [:]]

quinta-feira, 19 de junho de 2008

eu vou ensinar o que agorinha eu sei

Uma hora Dito chamou Miguilim, queria ficar com Miguilim sozinho. Quase que ele não podia mais falar. – "Miguilim, e você não contou a estória da Cuca pingo-de-Ouro..." – "Mas eu não posso, Dito, mesmo não posso! Eu gosto demais dela, estes dias todos..." Como é que podia inventar estória? Miguilim soluçava. –"Faz mal não, Miguilim, mesmo ceguinha mesmo, ela há de me reconhecer..." – "No Céu, Dito? No Céu?!" – e Miguilim desengolia da garganta um desespero. –"Chora não, Miguilim, de quem eu gosto mais, junto com Mãe, é de você..." E o Dito também não conseguia mais falar direito, os dentes dele teimavam em ficar encostados, a boca mal abria, mas mesmo assim ele forcejou e disse tudo: – "Miguilim, Miguilim, eu vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder então ficar mais alegre, mais alegre, por dentro!"

Guimarães Rosa - Campo Geral

terça-feira, 27 de maio de 2008

sentimento em letra de forma

Vou escrever sobre uma coisa bem simples e, até mesmo, boba.
Acho que a necessidade de precaver o leitor sobre o que será escrito evita as decepções, tanta as minhas quanto as dele.
Eu vou falar de uma coisa que acontece dentro de casa. Que acontece dentro da nossa casa e, por ser assim, só a gente sabe. Eu quero falar de um coração que tem que se dividir, mas que pra isso, quebra. Eu quero deixar claro que há dois mundo, o de dentro e o de fora de casa. Eu quero dizer que eu não sei o que fazer, mas também afirmo, de coração aberto, que não fiz o certo nem o errado. Eu fiz o que achava que fosse melhor. Não o melhor pra mim, nem para você, leitor. Foi feito o que eu achava melhor pra minha família. Você deve estar pensando que eu quero criar coragem para falar sobre uma doença ou morte que nos surpreendeu ou então de uma outra crise de qualquer espécie. Não é isso leitor, eu quero falar é de saudade. Mais do que isso, eu quero falar é do adiamento da saudade. É do “não ir embora” que eu quero te dizer. Eu quero que você fique na sala leitor, com sua avó vendo novela. Quero que você fique no quarto, com sua mãe passando roupa. Que você fique no escuro, com o seu pai trocando a lâmpada. Eu quero que você, leitor, não fique sozinho. Eu quero que seu coração não fique sozinho. Quando eu era criança havia um liquidificador e duas coisas para serem batidas: uma massa de bolo e um creme de babosa para cabelo. Para a minha felicidade de criança, bateram primeiro a massa de bolo. E eu que até esses dias acreditava em minha vó dizendo que bateria primeiro o bolo porque a babosa sujaria o liquidificador se fosse batida primeiro e poderia estragar a massa. Era tudo mentira. Ela sabia que a felicidade não seria para sempre, mas nem por isso ela deveria terminar o mais cedo possível. Então ela mentiu para mim. Graças a Deus, era mentira. O bolo acabou, o liquidificador também. Só a lembrança é que fica.

//texto pessoal

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aerosmith - Dream On

Every time that I look in the mirror
All these lines on my face getting clearer.
The past is gone,
It went by like dusk to dawn.
Isn't that the way
Everybody's got their dues in life to pay?


Yeah, I know nobody knows
Where it comes and where it goes.
I know it's everybody's sin
You got to lose to know how to win


Half my life's in books' written pages.
Live and learn from fools and from sages.
You know it's true,
All the things you do come back to you


Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.


Well, sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.


Dream on, dream on, dream on,
Dream yourself a dream come true.
Dream on, dream on, dream on,
And dream until your dream comes true.

Dream on! Dream on! Dream on! Dream on! Dream on!
Dream on!
Dream on!

Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.

Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,, Maybe tomorrow
the good Lord will take you away

quinta-feira, 24 de abril de 2008

prece

que a realidade não me torne incrédulo;
que o conhecimento não me torne arrogante;
que a liberdade não me torne displicente;
que a fé não me torne cego;
que a saudade não me torne frágil;
que, apesar das falsas promessas do futuro e das lamentações do passado, a vida seja sempre um presente.

_by thi

sexta-feira, 28 de março de 2008

=)

A mãe e o pêssego

“O pai reuniu a mulher, os dois filhos e comunicou:
"Perdi o emprego. A partir de amanhã, nossa vida será diferente. Para manter o essencial, teremos de cortar o supérfluo".

O filho mais moço perguntou o que era "supérfluo". O pai deu um exemplo: "Você gosta de pêssegos. Pois cortaremos os pêssegos. Sobremesa, agora, é goibada e pronto!"

O garoto ficou pensando que todos os dias comeria goiabada, e ele não gostava de goiabada. Para azar dele, era tempo dos pêssegos, aveludados, doces como mel.

Passou a primeira semana sem sobremesa. Preferia morrer a comer a goiabada que parecia eterna: quando acabava uma, logo aparecia outra. Até que um dia a mãe voltou da feira com o carrinho quase vazio. Mesmo assim, em lugar de destaque, por cima de todas as compras, lá estava a lata de goibada. O menino teve um engulho.

Mas, logo que o pai saiu para procurar emprego, a mãe chamou o guri. Para não despertar suspeita no filho mais velho, falou com autoridade: "Venha cá!". O menino pensou que fizera alguma coisa errada e que ia levar uma bronca. A mãe levou-o para o banheiro e fechou a porta.

Mostrou um enorme pêssego, vermelho e amarelo, a penugem aveludada, doce como o mel: "Olha o que eu trouxe para você!". O menino nem gostou do pêssego. Preferiu gostar mais daquela mãe.”

Carlos Heitor Cony

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os
olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser até eu mesmo
Que você vai entender

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também...

// J Quest

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008