quinta-feira, 19 de junho de 2008

eu vou ensinar o que agorinha eu sei

Uma hora Dito chamou Miguilim, queria ficar com Miguilim sozinho. Quase que ele não podia mais falar. – "Miguilim, e você não contou a estória da Cuca pingo-de-Ouro..." – "Mas eu não posso, Dito, mesmo não posso! Eu gosto demais dela, estes dias todos..." Como é que podia inventar estória? Miguilim soluçava. –"Faz mal não, Miguilim, mesmo ceguinha mesmo, ela há de me reconhecer..." – "No Céu, Dito? No Céu?!" – e Miguilim desengolia da garganta um desespero. –"Chora não, Miguilim, de quem eu gosto mais, junto com Mãe, é de você..." E o Dito também não conseguia mais falar direito, os dentes dele teimavam em ficar encostados, a boca mal abria, mas mesmo assim ele forcejou e disse tudo: – "Miguilim, Miguilim, eu vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder então ficar mais alegre, mais alegre, por dentro!"

Guimarães Rosa - Campo Geral

terça-feira, 27 de maio de 2008

sentimento em letra de forma

Vou escrever sobre uma coisa bem simples e, até mesmo, boba.
Acho que a necessidade de precaver o leitor sobre o que será escrito evita as decepções, tanta as minhas quanto as dele.
Eu vou falar de uma coisa que acontece dentro de casa. Que acontece dentro da nossa casa e, por ser assim, só a gente sabe. Eu quero falar de um coração que tem que se dividir, mas que pra isso, quebra. Eu quero deixar claro que há dois mundo, o de dentro e o de fora de casa. Eu quero dizer que eu não sei o que fazer, mas também afirmo, de coração aberto, que não fiz o certo nem o errado. Eu fiz o que achava que fosse melhor. Não o melhor pra mim, nem para você, leitor. Foi feito o que eu achava melhor pra minha família. Você deve estar pensando que eu quero criar coragem para falar sobre uma doença ou morte que nos surpreendeu ou então de uma outra crise de qualquer espécie. Não é isso leitor, eu quero falar é de saudade. Mais do que isso, eu quero falar é do adiamento da saudade. É do “não ir embora” que eu quero te dizer. Eu quero que você fique na sala leitor, com sua avó vendo novela. Quero que você fique no quarto, com sua mãe passando roupa. Que você fique no escuro, com o seu pai trocando a lâmpada. Eu quero que você, leitor, não fique sozinho. Eu quero que seu coração não fique sozinho. Quando eu era criança havia um liquidificador e duas coisas para serem batidas: uma massa de bolo e um creme de babosa para cabelo. Para a minha felicidade de criança, bateram primeiro a massa de bolo. E eu que até esses dias acreditava em minha vó dizendo que bateria primeiro o bolo porque a babosa sujaria o liquidificador se fosse batida primeiro e poderia estragar a massa. Era tudo mentira. Ela sabia que a felicidade não seria para sempre, mas nem por isso ela deveria terminar o mais cedo possível. Então ela mentiu para mim. Graças a Deus, era mentira. O bolo acabou, o liquidificador também. Só a lembrança é que fica.

//texto pessoal

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aerosmith - Dream On

Every time that I look in the mirror
All these lines on my face getting clearer.
The past is gone,
It went by like dusk to dawn.
Isn't that the way
Everybody's got their dues in life to pay?


Yeah, I know nobody knows
Where it comes and where it goes.
I know it's everybody's sin
You got to lose to know how to win


Half my life's in books' written pages.
Live and learn from fools and from sages.
You know it's true,
All the things you do come back to you


Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.


Well, sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.


Dream on, dream on, dream on,
Dream yourself a dream come true.
Dream on, dream on, dream on,
And dream until your dream comes true.

Dream on! Dream on! Dream on! Dream on! Dream on!
Dream on!
Dream on!

Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away.

Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,, Maybe tomorrow
the good Lord will take you away

quinta-feira, 24 de abril de 2008

prece

que a realidade não me torne incrédulo;
que o conhecimento não me torne arrogante;
que a liberdade não me torne displicente;
que a fé não me torne cego;
que a saudade não me torne frágil;
que, apesar das falsas promessas do futuro e das lamentações do passado, a vida seja sempre um presente.

_by thi

sexta-feira, 28 de março de 2008

=)

A mãe e o pêssego

“O pai reuniu a mulher, os dois filhos e comunicou:
"Perdi o emprego. A partir de amanhã, nossa vida será diferente. Para manter o essencial, teremos de cortar o supérfluo".

O filho mais moço perguntou o que era "supérfluo". O pai deu um exemplo: "Você gosta de pêssegos. Pois cortaremos os pêssegos. Sobremesa, agora, é goibada e pronto!"

O garoto ficou pensando que todos os dias comeria goiabada, e ele não gostava de goiabada. Para azar dele, era tempo dos pêssegos, aveludados, doces como mel.

Passou a primeira semana sem sobremesa. Preferia morrer a comer a goiabada que parecia eterna: quando acabava uma, logo aparecia outra. Até que um dia a mãe voltou da feira com o carrinho quase vazio. Mesmo assim, em lugar de destaque, por cima de todas as compras, lá estava a lata de goibada. O menino teve um engulho.

Mas, logo que o pai saiu para procurar emprego, a mãe chamou o guri. Para não despertar suspeita no filho mais velho, falou com autoridade: "Venha cá!". O menino pensou que fizera alguma coisa errada e que ia levar uma bronca. A mãe levou-o para o banheiro e fechou a porta.

Mostrou um enorme pêssego, vermelho e amarelo, a penugem aveludada, doce como o mel: "Olha o que eu trouxe para você!". O menino nem gostou do pêssego. Preferiu gostar mais daquela mãe.”

Carlos Heitor Cony

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os
olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser até eu mesmo
Que você vai entender

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também...

// J Quest

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Complemento do post abaixo ^^

Já que uma imagem vale mais que mil palavras...

O amor não sabe esperar

Uma década e vinte minutos depois
você percebe que a vida continua a mesma
e você ainda não encontrou seu grande amor

...

Meu caro,
algumas coisas só aparecem
quando você deixa de esperá-las

//texto pessoal

O amor não sabe esperar [2]





Escrevo versos




Rosas e incenso para perfumar




Eu ainda te espero chegar





Não telefone, não mande carta
Não mande alguém me avisar
Não vá pra longe, não me desaponte
O amor não sabe esperar
//música Paralamas + Marisa Monte

Augusto dos Anjos


A árvore da serra

— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!


— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...


— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:

"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"

E quando a árvore, olhando a pátria serra,


Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!