quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sacolas retornáveis e outros amores

Hoje acabei comprando uma sacola retornável. Em muitas cidades os supermercados já não distribuirão mais sacolinhas plásticas. Achei ruim, mas já era hora, afinal, é uma coisa que é feita pra ser jogada fora.
E hoje em dia tudo é assim. Nada é feito para durar. E esta moda de reciclar ou reutilizar está entrando aos poucos na minha vida. Os meus sentimentos bons, meus amores e meu trabalho devem ser como sacolas retornáveis. Quero abrir os olhos para isso. Quero que as pessoas sintam isso também.

Pra quem coleciona sacolas descartáveis, sinto muito. E pra quem coleciona amores, também.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Balanço de 2011

O melhor filme que vi este ano: Cisne Negro.
A música que mais ouvi: Piano in the dark, Brenda Russel.
O livro que mais me marcou: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector.
Um lugar: Fnac, de Campinas.
Atividade de lazer: ir ao cinema.
O melhor feriado: a Páscoa.

2011 foi um recomeço. Mudei de cidade, de atividade, mas não mudei de sexo, o que ameniza um pouco toda essa loucura. Foi um ano de muitas perdas - sim, estamos ao vivo admitindo que há (também) motivos para não comemorar - e de algumas vitórias tímidas (ok, rendo-me ao clichê de mensagem positiva de fim de ano). Foi ano de fazer ioga e francês. E também o mestrado. Ano para rever todo mundo, de novo, mais uma vez. Ano em que me amei muito. E fui retribuído.

Ano em que tive uma revelação forte, que mudou a minha vida.
Um ano em que começou uma saudade que jamais terá fim.
Uma saudade de você, batchan e, por consequência, uma saudade de mim.
2011 foi o ano em que me disseram: Persevere!
E foi o que eu fiz.

2011 foi um ano que veio para acrescentar e muito na minha história. Honestamente, sem aquela sensibilidade de fim de ano que faz com que ele fique mais importante do que foi de verdade. Estou aprendendendo a liderar a minha vida e a dosar os meus receios - no sentido de que eles devem existir, mas nos momentos certos. Aprendendo a ter segurança e sabedoria. Aprendendo a transmitir isso. Aprendendo que eu sempre posso amar mais do que penso que sou capaz. E se é amor o que eu quero sentir, então que seja amor o que eu sinto. E que esse ato permaneça, ainda que eu sinta saudade ou dor. Estou aprendendo a ser mestre.

E finalmente reconheço que eu sou um máximo. Porque não posso ser nada diferente daquilo que Deus me prometeu. Já disse isso, mas repito: sou uma sequência aleatória e infinita de prós e contras que, no final das contas, apresenta um saldo positivo. É uma matemática que não se aplica a muitas pessoas, que sempre buscam roubar dos outros a felicidade que lhes falta.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Aos trancos e barrancos, chegamos no Natal

Bom, faz tempo que tento escrever esse texto. Eu preciso pedir perdão pra moça do ônibus, coisa muito grave. Não posso deixar que o meu preconceito seja maior que o meu amor pelo próximo. Não posso ser injusto e perder a dignidade. 

O fato é que uma moça carente sentou-se ao meu lado nessa última viagem, devia ter 15 anos, e tinha um filho. Eu confesso que pensei muitas coisas. E fiz julgamentos ruins. Viajamos por 4 horas juntos. Quero então que neste Natal ela tenha a sua vida iluminada e possa ser feliz para sempre. O seu bebê era tão lindo! E guardo em meu coração a sua humildade e fascínio por tudo que via. 

Na verdade, a moça e o bebê viajavam com mais pessoas - não sei se eram familiares ou amigos da igreja - e eu acabei trocando de lugar com uma de suas amigas, um pouco mais jovem, para que elas fossem juntas. E elas aproveitaram muito a viagem, comeram salgadinhos, bolachas, tomaram suco e - digo por instinto - era algo que elas só faziam em situações especiais. Elas conversavam alto, jogavam lixo no chão... enfim, a postura deixou a desejar. Ouvi música altíssima com meus fones para não escutá-las. Só que em um certo momento a bateria do meu celular acabou e então não teve jeito: passei a ouvir o que elas falavam. 

Eram diálogos infantis, nada muito relevante. E num determinado momento, a menina mais nova comentou que uma outra pessoa que viajava com eles tinha 7 reais para gastar durante a viagem e que na volta ganharia mais 4.  Eles eram pessoas muito simples e naquele momento eu não soube lidar, emocionalmente, com aquilo. Não me senti solidário, fiquei foi é com raiva por ter que ouvir aquela conversa toda e ver o piso tão sujo. 

Depois que eu desembarquei e o cansaço passou (afinal, são 23 horas de estrada) eu me senti tão triste e arrependido. Arrependido por mal responder as perguntas da moça, que foi muito simpática comigo e por ser preconceituoso devido a sua condição social. Não fui uma boa pessoa. Na verdade, eu mal posso fazer julgamentos - sou todo errado e diferente. Então neste Natal eu desejo amar ao próximo como eu me amo. Afinal, isso já foi determinado há muito, muito tempo. 

Feliz Natal!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma meta

Eu não vou mais me perder nas minhas mentiras.
Eu tentei ser tão fiel a coisas que eu não acredito e já nem sei mais o que realmente quero.
Serei confiante!
E vou apenas vencer.
Porque não imagino nada diferente disso.
Amanhã termino as disciplinas do mestrado. Depois é um ano de pesquisa e escrita.
Estou muito feliz!
A minha professora, na nossa confraternização adiantada de fim de ano, disse que se orgulha não só do grupo, mas de cada um de nós.
Individualmente, por saber que cada um teve a sua dificuldade.
Achei isso muito especial.
E por incrível que pareça, essa experiência tem sido mais árdua do que eu pensava.
Emocionalmente.
Por eu duvidar se é isso que eu quero, se estou fazendo algo bem feito.
Por ter apostado alto.
Mas isso faz parte de qualquer pacote.
O que eu acho mais engraçado na minha vida é que ela tem uma monotonia e um dinamismo que ficam brigando pra ver quem me mata primeiro.
Estou na mesma atividade há 6 anos, só que é tudo diferente e eu também mudei. As disciplinas acabam e voltam e eu sempre ansioso
e contente
e exigente
e relaxado.
É um prazer mortal.
Viver é morrer um pouco a cada dia
e ressuscitar
e insistir
e abrir mão
e no dia que o balanço não fechar,
é só selar o caixão.
Preciso viajar e andar de bicicleta.

domingo, 27 de novembro de 2011

Episódio 23

Bom, não sei ao certo como escrever este texto, que tanto me chama e me manda embora. Foi uma reflexão muito boa fazer aniversário e ter essa chance de trocar o dígito sem ter matado ninguém ou me prostituído sem querer. Foi absolutamente tudo especial. Tudo. E tem tanto a ver com amor que eu me emociono severamente ao pensar nisso. Um dia só meu.

Eu fiquei muito feliz por ter conversado com a minha mãe e com a minha tia. Estou com muita saudade. E sei que elas estão também. O Victor me mandou uma mensagem que eu achei muito bonita. Além dos recados da minha irmã e do meu amigo Thiago. Do André, da Juliana, do José. Foi muito bom passar a tarde com o Bruno e com a Liliane e continuar o dia com a Monise. Nós fomos ver um filme e ela me deu um vinho de presente. Depois fomos a um bar e bebemos sem culpa. Ela viu minha casa de cabeça pra baixo - juro - não costuma ser assim. A minha vida também está bagunçada. Eu me perdi em alguns pontos, sinceramente. Não gosto de ter serviço para fazer em casa, eu acabo me atrasando demais.

Este ano não foi nada fácil. Tive poucas coisas para fazer. E mesmo assim não fiz. Faltou confiança. Faltou acreditar. Foi um ano fraco em termos de crescimento profissional, um recomeço pouco inspirador pra quem vinha de um ritmo forte de aprendizado. Apesar de que nos últimos dias acho que consegui inserir bastante qualidade nos meus trabalhos. E tenho me apresentado melhor também. Ainda falta ter uma função, pelo menos uma que eu realmente entenda. Mas... enquanto eu estiver aqui, eu tenho que fazer o melhor que posso, dentro daquilo que eu sei que sou capaz. Tenho que estudar mais e ser mais competente. Ainda falta postura profissional. Vivendo e aprendendo e desaprendendo.

O quanto eu sou capaz de amar? Sempre que penso que cheguei no limite, me aparece alguém. Quando falei com meu irmão e minha mãe, eu não me suportava. Tive que falar o mínimo para não morrer de amor aqui, sentado nesta cadeira. Depois falei com a minha tia, que não vejo faz um tempo, e foi a mesma coisa. Ela é uma pessoa que me ajuda muito. Pensei bastante na minha vó também e no quanto ela perdoa as pessoas. No tanto que ela já sofreu e mesmo assim é tão feliz.

E eu sempre esperei tanta justiça do mundo. E isso é uma bobagem. Essa foi a maior lição que eu recebi neste aniversário. Eu tenho que cultivar as pessoas que eu gosto e ser bom para elas. O resto é consequência. Todo mundo tem que trabalhar, dar seus pulos, se virar. Mas não é sempre que se pode contar com o amor maior do mundo, como eu posso.

domingo, 20 de novembro de 2011

Espera pelo segundo sol

Nessa última viagem eu encontrei com um senhor de 73 anos que iria visitar a avó. Meu Deus, 105 anos, se não me engano. E pude exercitar o bem - ajudei bastante uma pessoa. Como eu mudei. Sinto tanto prazer e dor em viver. Está sendo algo desgastante. Quero morrer em alguns momentos, não como um suicida, mas como um eletrodoméstico que simplesmente é desligado da tomada. 
Eu nasci na primavera. Nunca tinha pensado nisto. Talvez porque não sirva pra nada.
Preciso reler O Mundo de Sofia.
Preciso de um feedback.
Eu fracassei em um projeto.
Eu estou completamente atrasado.
Eu quero fugir.
Estou com muita saudade de tudo.


"Eu jamais vou te esquecer
 Eu sempre vou te amar,
 Mesmo algum tempo depois do futuro"
Lobão - Song for Sampa

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Intrínseco

Hoje eu me amei tanto que até me assustei. E no fundo não importa o que os outros pensam. Mesmo. E eu nunca tinha vivido esse clichê com tanta sinceridade. E toda essa comoção, que eu achava que fosse ódio, no fundo é amor na sua forma mais bruta.
"Que o fracasso me aniquile, eu quero a glória de cair".
Extravasei pelos poros. O que eu faço? Agora sou eu mesmo e não posso negar. Eu me coloquei à prova e, veja bem, eu não perdi. O que não é nenhum mérito. Parece que quanto mais eu aceito a minha imperfeição mais ela é exposta. A dose de permissão é sempre menor que a de exigência. E tenho que conviver com essa vertente do amor-próprio. Dar adeus à inocência.
Meu Deus, e se?
Se fosse diferente, como seria?
Seria a mesma coisa?
E depois de percorrer este caminho que me rasga e me seduz e me faz acreditar demais, aos trapos, eu vou achar a resposta? Porque dói demais essa incerteza. 
Viver é uma fatalidade.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Adeus MBA que eu nunca tive

Sabe que, depois que eu perdi o medo de ser um fracasso, eu estou bem mais feliz?
E olha a contradição: Por mais que seja um retrocesso, não estou mais atento às críticas, porque faz tempo que não vejo alguém tão bom quanto eu pra realmente me dizer algo que preste.
Pode isso, gente?

É essa minha arrogância que estraga tudo.

E isso me lembra de algumas entrevistas pelas quais tive que passar pra conseguir um emprego ou estágio.
"E os seus defeitos, quais são?"
"Se eu te falar, você cai de costas, entrevistadora". 
Mas isso eu só pensava, porque eu falava algo bem leve, como timidez. Que cá entre nós, é qualidade. Por isso que nunca passei pra próxima fase.
Mas eles perguntavam minhas 3 qualidades. Daí eu pensava "E agora? 3 entre tantas, quais eu vou escolher pra te surpreender?" Então falava: Proativo, organizado e determinado. Que cá entre nós mais uma vez, eu até tenho duas dessas qualidades, mas eu nunca as encontrei em mim num mesmo dia.

E dizem que não pode mentir nessas entrevistas. Mas se eu falasse a verdade, seria pior. O que fazer então? Só que isso é estranho, porque se algumas pessoas que foram escolhidas não mentiram, a empresa no fundo estava procurando gente vagabunda para trabalhar. Conclusão triste e hipócrita essa minha, não? Eu acho que não, mas os outros pensam que sim.

Não que eu tenha mágoas. Eu acho até engraçado. Eu tinha tanto medo de não ser um sucesso e de não receber o devido valor por parte de quem eu achava importante. E esse sucesso era simplesmente a resposta que eu precisava pra mostrar pra todo mundo que "olha, você jurava que eu era um perdedor, mas eu não sou porque alguém mais rico e estudado que você disse o contrário". E quando eu cheguei lá pra conseguir essa resposta fantástica, o meu júri mais rico e estudado só confirmou o que diziam por aí. Veja bem, eu era mesmo um fracasso. E não tinha nenhuma resposta fantástica dos seres superiores para esfregar na cara dos meus concorrentes. Concorrentes que eu olhava de cima a baixo e concluía pra mim mesmo: Coitados.

E essa história que eu decidi contar hoje a gente sempre ouve por aí. Mas nunca em primeira pessoa. Sim, mundão, eu subestimei muita gente e ainda faço isso. No entanto, já recebi várias respostas que objetivamente diziam que eu não era bom pra fazer certas coisas. Juro pra você, já até acostumei a perder. O que, de fato, não é ruim, porque na vida se perde todos os dias e se você não sabe lidar com a derrota o sofrimento é o dobro.

O legado disso tudo é que hoje eu só me arrisco naquilo que eu quero. Assim vale a pena perder. E como esse texto é uma rede ilógica de revelações, termino com a minha honesta carta de apresentação:

Meu nome é Thiago, 22 anos. Não consegui um estágio - a não ser o obrigatório -  até porque nunca havia procurado um. Minha média na faculdade não é lá aquelas coisas e no mestrado tampouco, o que pode ser um pesadelo daqui pra frente, já que tudo se resume a isso -  ainda mais porque eu tinha tudo para ser o melhor - só não fui porque a preguiça e falta de motivação foram maiores do que tudo. Tenho falsas esperanças de que isso vai mudar. Nunca trabalhei pra valer e na verdade não tenho experiência. Busco a excelência em tudo o que faço, mas raramente consigo. Tenho bons valores morais e comportamentais, mas acho que no fim isso nem conta tanto assim. Como engenheiro químico, acho que fui um bom professor de inglês, apesar de não se ter prova concreta sobre isso.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Contra Maremotos

Eu me lembro que um dia eu estava voltando da escola e você me viu e foi correndo me dar um abraço. Você estava todo sujo, parecendo um tatuzinho. 
Tinha 4 aninhos. Foi tão bom!!! 

Feliz aniversário de 16 anos!!


Eu quero que você tenha mais amores do que eu. E que seja mais feliz também. E não desejo isso pra mais ninguém. A não ser para você e para nossa irmã.
  
Eu abro mão de ser a pessoa mais realizada do mundo.... Para que você seja. 
Nunca estarei feliz se você não estiver.
Eu sou a parte da sua vida que você não pôde escolher. Eu mereço estar aí, nos seus pensamentos, nas suas fotos e na sua casa?
Eu sinto muita saudade e o meu maior sonho é um dia poder voltar a viver com todos vocês. Mas isso não vai acontecer e o meu coração tão bravamente se recusa a aceitar a nossa distância. Eu posso sentir no meu pulsar o quanto eu te amo. 
A sua existência é o vento que sopra no meu rosto quando eu penso que não vale a pena viver. Que me faz viajar e me guia a águas tranquilas, longe das tempestades.

O meu conselho para você neste aniversário é para que você preste mais atenção na nossa família. Algumas pessoas querem ficar mais perto de você e te conhecer melhor. Elas me inspiram bastante, espero que você também tenha muito orgulho de ser quem você é e das suas origens, independente das imperfeições que existem. Nós sempre estaremos aqui. Por você.

Um beijo!

domingo, 18 de setembro de 2011

Procura-se Vivo ou Vivo

Engraçado que sempre que eu procuro pelo meu amor eu o encontro ali, intacto, dentro de mim. E vem de forma tão inesperada. Hoje eu estava assistindo uma série e de repente comecei a chorar porque eu estava amando. E eu acho que amar é um verbo fantástico quando ele não precisa de um complemento. Não amei ao próximo, nem a Deus nem a mim mesmo. Apenas amei. Amei estar aqui. Amei estar respirando. E por um instante eu simplesmente não me arrependi de nada. Só que de verdade. Porque às vezes a gente carrega uma placa luminescente dizendo que faria tudo de novo, que erraria de novo... só para pretender uma certeza.

Eu devo desculpas a muitas pessoas. Só que eu não vou pedir. Não sei julgar merecimentos e não vou esperar mais pelo consentimento do próximo para que eu possa exercer a minha liberdade de. E também não existe complemento para essa liberdade. Liberdade de seja lá o que for.

Quanta coisa eu aprendi e mesmo assim eu continuo sem saber. E se hoje eu não tenho nada do que eu quis foi porque eu sonhei errado. E não há nenhum pecado nisso. Estou reformulando os meus sonhos. E me suicidando um pouco, liquidando aquilo que eu acho que não me faz bem, a respeito de mim mesmo.

Vou contar um segredo: eu não gosto de uma pessoa que está me dando aula e não torço pelo sucesso dela. Juro, não consigo. Sou um péssimo ser humano, não? Bom, não tenho nada a ganhar torcendo contra ou a favor. Apenas me permiti sentir isso. Desculpe por expressar algo tão pouco construtivo. É que sou um pouco invejoso e inseguro. Mas talvez eu também tenha os meus motivos para não aprovar certas atitudes de tal pessoa.

E entre ela e eu, me perdoem a paródia mas... eu me prefiro não 7 x 7, mas 70 x 7 vezes... por dia.