terça-feira, 25 de outubro de 2011

Adeus MBA que eu nunca tive

Sabe que, depois que eu perdi o medo de ser um fracasso, eu estou bem mais feliz?
E olha a contradição: Por mais que seja um retrocesso, não estou mais atento às críticas, porque faz tempo que não vejo alguém tão bom quanto eu pra realmente me dizer algo que preste.
Pode isso, gente?

É essa minha arrogância que estraga tudo.

E isso me lembra de algumas entrevistas pelas quais tive que passar pra conseguir um emprego ou estágio.
"E os seus defeitos, quais são?"
"Se eu te falar, você cai de costas, entrevistadora". 
Mas isso eu só pensava, porque eu falava algo bem leve, como timidez. Que cá entre nós, é qualidade. Por isso que nunca passei pra próxima fase.
Mas eles perguntavam minhas 3 qualidades. Daí eu pensava "E agora? 3 entre tantas, quais eu vou escolher pra te surpreender?" Então falava: Proativo, organizado e determinado. Que cá entre nós mais uma vez, eu até tenho duas dessas qualidades, mas eu nunca as encontrei em mim num mesmo dia.

E dizem que não pode mentir nessas entrevistas. Mas se eu falasse a verdade, seria pior. O que fazer então? Só que isso é estranho, porque se algumas pessoas que foram escolhidas não mentiram, a empresa no fundo estava procurando gente vagabunda para trabalhar. Conclusão triste e hipócrita essa minha, não? Eu acho que não, mas os outros pensam que sim.

Não que eu tenha mágoas. Eu acho até engraçado. Eu tinha tanto medo de não ser um sucesso e de não receber o devido valor por parte de quem eu achava importante. E esse sucesso era simplesmente a resposta que eu precisava pra mostrar pra todo mundo que "olha, você jurava que eu era um perdedor, mas eu não sou porque alguém mais rico e estudado que você disse o contrário". E quando eu cheguei lá pra conseguir essa resposta fantástica, o meu júri mais rico e estudado só confirmou o que diziam por aí. Veja bem, eu era mesmo um fracasso. E não tinha nenhuma resposta fantástica dos seres superiores para esfregar na cara dos meus concorrentes. Concorrentes que eu olhava de cima a baixo e concluía pra mim mesmo: Coitados.

E essa história que eu decidi contar hoje a gente sempre ouve por aí. Mas nunca em primeira pessoa. Sim, mundão, eu subestimei muita gente e ainda faço isso. No entanto, já recebi várias respostas que objetivamente diziam que eu não era bom pra fazer certas coisas. Juro pra você, já até acostumei a perder. O que, de fato, não é ruim, porque na vida se perde todos os dias e se você não sabe lidar com a derrota o sofrimento é o dobro.

O legado disso tudo é que hoje eu só me arrisco naquilo que eu quero. Assim vale a pena perder. E como esse texto é uma rede ilógica de revelações, termino com a minha honesta carta de apresentação:

Meu nome é Thiago, 22 anos. Não consegui um estágio - a não ser o obrigatório -  até porque nunca havia procurado um. Minha média na faculdade não é lá aquelas coisas e no mestrado tampouco, o que pode ser um pesadelo daqui pra frente, já que tudo se resume a isso -  ainda mais porque eu tinha tudo para ser o melhor - só não fui porque a preguiça e falta de motivação foram maiores do que tudo. Tenho falsas esperanças de que isso vai mudar. Nunca trabalhei pra valer e na verdade não tenho experiência. Busco a excelência em tudo o que faço, mas raramente consigo. Tenho bons valores morais e comportamentais, mas acho que no fim isso nem conta tanto assim. Como engenheiro químico, acho que fui um bom professor de inglês, apesar de não se ter prova concreta sobre isso.

2 comentários:

Marcos disse...

Como dizem, né, a pior mentira é aquela que contamos pra nós mesmos. Esse exercício de falar a verdade, de ser honesto, faz bem. E a gente tem que fazer o nosso melhor, não tentar se aproximar do melhor do outro.

Eu também tenho essa preguiça, muitas vezes, de fazer o que "precisa" ser feito. "Enquanto o mundo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa, a vida não para..." Nos libertamos dessa pressão do tempo, da idade, dos outros, é o melhor que podemos fazer por nós. Cada ser, particularmente e loucamente, tem seu tempo, seus desejos, suas experiências. E por mais que seja difícil - pelo menos pra mim, o certo mesmo é ouvir e seguir o nosso coração. Não me pergunte a receita, porque ainda estou experimentando.

Renato Hemesath disse...

Thiago, é inevitável não comentar. Teu blog trás questionamentos. Pertinentes quetões. Lendo teu post lembrava-me das personas que, com outros nomes, são refúgios, artimanhas, criações, enfim, modos das pessoas sustentarem-se e darem sustento à suas ambições. Parece que as coisas andam tão loucas que aqueles que "transparentemente" se mostram, chocam.

Ótimo escrito!
abraços