sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Balanço de 2011

O melhor filme que vi este ano: Cisne Negro.
A música que mais ouvi: Piano in the dark, Brenda Russel.
O livro que mais me marcou: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector.
Um lugar: Fnac, de Campinas.
Atividade de lazer: ir ao cinema.
O melhor feriado: a Páscoa.

2011 foi um recomeço. Mudei de cidade, de atividade, mas não mudei de sexo, o que ameniza um pouco toda essa loucura. Foi um ano de muitas perdas - sim, estamos ao vivo admitindo que há (também) motivos para não comemorar - e de algumas vitórias tímidas (ok, rendo-me ao clichê de mensagem positiva de fim de ano). Foi ano de fazer ioga e francês. E também o mestrado. Ano para rever todo mundo, de novo, mais uma vez. Ano em que me amei muito. E fui retribuído.

Ano em que tive uma revelação forte, que mudou a minha vida.
Um ano em que começou uma saudade que jamais terá fim.
Uma saudade de você, batchan e, por consequência, uma saudade de mim.
2011 foi o ano em que me disseram: Persevere!
E foi o que eu fiz.

2011 foi um ano que veio para acrescentar e muito na minha história. Honestamente, sem aquela sensibilidade de fim de ano que faz com que ele fique mais importante do que foi de verdade. Estou aprendendendo a liderar a minha vida e a dosar os meus receios - no sentido de que eles devem existir, mas nos momentos certos. Aprendendo a ter segurança e sabedoria. Aprendendo a transmitir isso. Aprendendo que eu sempre posso amar mais do que penso que sou capaz. E se é amor o que eu quero sentir, então que seja amor o que eu sinto. E que esse ato permaneça, ainda que eu sinta saudade ou dor. Estou aprendendo a ser mestre.

E finalmente reconheço que eu sou um máximo. Porque não posso ser nada diferente daquilo que Deus me prometeu. Já disse isso, mas repito: sou uma sequência aleatória e infinita de prós e contras que, no final das contas, apresenta um saldo positivo. É uma matemática que não se aplica a muitas pessoas, que sempre buscam roubar dos outros a felicidade que lhes falta.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Aos trancos e barrancos, chegamos no Natal

Bom, faz tempo que tento escrever esse texto. Eu preciso pedir perdão pra moça do ônibus, coisa muito grave. Não posso deixar que o meu preconceito seja maior que o meu amor pelo próximo. Não posso ser injusto e perder a dignidade. 

O fato é que uma moça carente sentou-se ao meu lado nessa última viagem, devia ter 15 anos, e tinha um filho. Eu confesso que pensei muitas coisas. E fiz julgamentos ruins. Viajamos por 4 horas juntos. Quero então que neste Natal ela tenha a sua vida iluminada e possa ser feliz para sempre. O seu bebê era tão lindo! E guardo em meu coração a sua humildade e fascínio por tudo que via. 

Na verdade, a moça e o bebê viajavam com mais pessoas - não sei se eram familiares ou amigos da igreja - e eu acabei trocando de lugar com uma de suas amigas, um pouco mais jovem, para que elas fossem juntas. E elas aproveitaram muito a viagem, comeram salgadinhos, bolachas, tomaram suco e - digo por instinto - era algo que elas só faziam em situações especiais. Elas conversavam alto, jogavam lixo no chão... enfim, a postura deixou a desejar. Ouvi música altíssima com meus fones para não escutá-las. Só que em um certo momento a bateria do meu celular acabou e então não teve jeito: passei a ouvir o que elas falavam. 

Eram diálogos infantis, nada muito relevante. E num determinado momento, a menina mais nova comentou que uma outra pessoa que viajava com eles tinha 7 reais para gastar durante a viagem e que na volta ganharia mais 4.  Eles eram pessoas muito simples e naquele momento eu não soube lidar, emocionalmente, com aquilo. Não me senti solidário, fiquei foi é com raiva por ter que ouvir aquela conversa toda e ver o piso tão sujo. 

Depois que eu desembarquei e o cansaço passou (afinal, são 23 horas de estrada) eu me senti tão triste e arrependido. Arrependido por mal responder as perguntas da moça, que foi muito simpática comigo e por ser preconceituoso devido a sua condição social. Não fui uma boa pessoa. Na verdade, eu mal posso fazer julgamentos - sou todo errado e diferente. Então neste Natal eu desejo amar ao próximo como eu me amo. Afinal, isso já foi determinado há muito, muito tempo. 

Feliz Natal!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma meta

Eu não vou mais me perder nas minhas mentiras.
Eu tentei ser tão fiel a coisas que eu não acredito e já nem sei mais o que realmente quero.
Serei confiante!
E vou apenas vencer.
Porque não imagino nada diferente disso.
Amanhã termino as disciplinas do mestrado. Depois é um ano de pesquisa e escrita.
Estou muito feliz!
A minha professora, na nossa confraternização adiantada de fim de ano, disse que se orgulha não só do grupo, mas de cada um de nós.
Individualmente, por saber que cada um teve a sua dificuldade.
Achei isso muito especial.
E por incrível que pareça, essa experiência tem sido mais árdua do que eu pensava.
Emocionalmente.
Por eu duvidar se é isso que eu quero, se estou fazendo algo bem feito.
Por ter apostado alto.
Mas isso faz parte de qualquer pacote.
O que eu acho mais engraçado na minha vida é que ela tem uma monotonia e um dinamismo que ficam brigando pra ver quem me mata primeiro.
Estou na mesma atividade há 6 anos, só que é tudo diferente e eu também mudei. As disciplinas acabam e voltam e eu sempre ansioso
e contente
e exigente
e relaxado.
É um prazer mortal.
Viver é morrer um pouco a cada dia
e ressuscitar
e insistir
e abrir mão
e no dia que o balanço não fechar,
é só selar o caixão.
Preciso viajar e andar de bicicleta.

domingo, 27 de novembro de 2011

Episódio 23

Bom, não sei ao certo como escrever este texto, que tanto me chama e me manda embora. Foi uma reflexão muito boa fazer aniversário e ter essa chance de trocar o dígito sem ter matado ninguém ou me prostituído sem querer. Foi absolutamente tudo especial. Tudo. E tem tanto a ver com amor que eu me emociono severamente ao pensar nisso. Um dia só meu.

Eu fiquei muito feliz por ter conversado com a minha mãe e com a minha tia. Estou com muita saudade. E sei que elas estão também. O Victor me mandou uma mensagem que eu achei muito bonita. Além dos recados da minha irmã e do meu amigo Thiago. Do André, da Juliana, do José. Foi muito bom passar a tarde com o Bruno e com a Liliane e continuar o dia com a Monise. Nós fomos ver um filme e ela me deu um vinho de presente. Depois fomos a um bar e bebemos sem culpa. Ela viu minha casa de cabeça pra baixo - juro - não costuma ser assim. A minha vida também está bagunçada. Eu me perdi em alguns pontos, sinceramente. Não gosto de ter serviço para fazer em casa, eu acabo me atrasando demais.

Este ano não foi nada fácil. Tive poucas coisas para fazer. E mesmo assim não fiz. Faltou confiança. Faltou acreditar. Foi um ano fraco em termos de crescimento profissional, um recomeço pouco inspirador pra quem vinha de um ritmo forte de aprendizado. Apesar de que nos últimos dias acho que consegui inserir bastante qualidade nos meus trabalhos. E tenho me apresentado melhor também. Ainda falta ter uma função, pelo menos uma que eu realmente entenda. Mas... enquanto eu estiver aqui, eu tenho que fazer o melhor que posso, dentro daquilo que eu sei que sou capaz. Tenho que estudar mais e ser mais competente. Ainda falta postura profissional. Vivendo e aprendendo e desaprendendo.

O quanto eu sou capaz de amar? Sempre que penso que cheguei no limite, me aparece alguém. Quando falei com meu irmão e minha mãe, eu não me suportava. Tive que falar o mínimo para não morrer de amor aqui, sentado nesta cadeira. Depois falei com a minha tia, que não vejo faz um tempo, e foi a mesma coisa. Ela é uma pessoa que me ajuda muito. Pensei bastante na minha vó também e no quanto ela perdoa as pessoas. No tanto que ela já sofreu e mesmo assim é tão feliz.

E eu sempre esperei tanta justiça do mundo. E isso é uma bobagem. Essa foi a maior lição que eu recebi neste aniversário. Eu tenho que cultivar as pessoas que eu gosto e ser bom para elas. O resto é consequência. Todo mundo tem que trabalhar, dar seus pulos, se virar. Mas não é sempre que se pode contar com o amor maior do mundo, como eu posso.

domingo, 20 de novembro de 2011

Espera pelo segundo sol

Nessa última viagem eu encontrei com um senhor de 73 anos que iria visitar a avó. Meu Deus, 105 anos, se não me engano. E pude exercitar o bem - ajudei bastante uma pessoa. Como eu mudei. Sinto tanto prazer e dor em viver. Está sendo algo desgastante. Quero morrer em alguns momentos, não como um suicida, mas como um eletrodoméstico que simplesmente é desligado da tomada. 
Eu nasci na primavera. Nunca tinha pensado nisto. Talvez porque não sirva pra nada.
Preciso reler O Mundo de Sofia.
Preciso de um feedback.
Eu fracassei em um projeto.
Eu estou completamente atrasado.
Eu quero fugir.
Estou com muita saudade de tudo.


"Eu jamais vou te esquecer
 Eu sempre vou te amar,
 Mesmo algum tempo depois do futuro"
Lobão - Song for Sampa

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Intrínseco

Hoje eu me amei tanto que até me assustei. E no fundo não importa o que os outros pensam. Mesmo. E eu nunca tinha vivido esse clichê com tanta sinceridade. E toda essa comoção, que eu achava que fosse ódio, no fundo é amor na sua forma mais bruta.
"Que o fracasso me aniquile, eu quero a glória de cair".
Extravasei pelos poros. O que eu faço? Agora sou eu mesmo e não posso negar. Eu me coloquei à prova e, veja bem, eu não perdi. O que não é nenhum mérito. Parece que quanto mais eu aceito a minha imperfeição mais ela é exposta. A dose de permissão é sempre menor que a de exigência. E tenho que conviver com essa vertente do amor-próprio. Dar adeus à inocência.
Meu Deus, e se?
Se fosse diferente, como seria?
Seria a mesma coisa?
E depois de percorrer este caminho que me rasga e me seduz e me faz acreditar demais, aos trapos, eu vou achar a resposta? Porque dói demais essa incerteza. 
Viver é uma fatalidade.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Adeus MBA que eu nunca tive

Sabe que, depois que eu perdi o medo de ser um fracasso, eu estou bem mais feliz?
E olha a contradição: Por mais que seja um retrocesso, não estou mais atento às críticas, porque faz tempo que não vejo alguém tão bom quanto eu pra realmente me dizer algo que preste.
Pode isso, gente?

É essa minha arrogância que estraga tudo.

E isso me lembra de algumas entrevistas pelas quais tive que passar pra conseguir um emprego ou estágio.
"E os seus defeitos, quais são?"
"Se eu te falar, você cai de costas, entrevistadora". 
Mas isso eu só pensava, porque eu falava algo bem leve, como timidez. Que cá entre nós, é qualidade. Por isso que nunca passei pra próxima fase.
Mas eles perguntavam minhas 3 qualidades. Daí eu pensava "E agora? 3 entre tantas, quais eu vou escolher pra te surpreender?" Então falava: Proativo, organizado e determinado. Que cá entre nós mais uma vez, eu até tenho duas dessas qualidades, mas eu nunca as encontrei em mim num mesmo dia.

E dizem que não pode mentir nessas entrevistas. Mas se eu falasse a verdade, seria pior. O que fazer então? Só que isso é estranho, porque se algumas pessoas que foram escolhidas não mentiram, a empresa no fundo estava procurando gente vagabunda para trabalhar. Conclusão triste e hipócrita essa minha, não? Eu acho que não, mas os outros pensam que sim.

Não que eu tenha mágoas. Eu acho até engraçado. Eu tinha tanto medo de não ser um sucesso e de não receber o devido valor por parte de quem eu achava importante. E esse sucesso era simplesmente a resposta que eu precisava pra mostrar pra todo mundo que "olha, você jurava que eu era um perdedor, mas eu não sou porque alguém mais rico e estudado que você disse o contrário". E quando eu cheguei lá pra conseguir essa resposta fantástica, o meu júri mais rico e estudado só confirmou o que diziam por aí. Veja bem, eu era mesmo um fracasso. E não tinha nenhuma resposta fantástica dos seres superiores para esfregar na cara dos meus concorrentes. Concorrentes que eu olhava de cima a baixo e concluía pra mim mesmo: Coitados.

E essa história que eu decidi contar hoje a gente sempre ouve por aí. Mas nunca em primeira pessoa. Sim, mundão, eu subestimei muita gente e ainda faço isso. No entanto, já recebi várias respostas que objetivamente diziam que eu não era bom pra fazer certas coisas. Juro pra você, já até acostumei a perder. O que, de fato, não é ruim, porque na vida se perde todos os dias e se você não sabe lidar com a derrota o sofrimento é o dobro.

O legado disso tudo é que hoje eu só me arrisco naquilo que eu quero. Assim vale a pena perder. E como esse texto é uma rede ilógica de revelações, termino com a minha honesta carta de apresentação:

Meu nome é Thiago, 22 anos. Não consegui um estágio - a não ser o obrigatório -  até porque nunca havia procurado um. Minha média na faculdade não é lá aquelas coisas e no mestrado tampouco, o que pode ser um pesadelo daqui pra frente, já que tudo se resume a isso -  ainda mais porque eu tinha tudo para ser o melhor - só não fui porque a preguiça e falta de motivação foram maiores do que tudo. Tenho falsas esperanças de que isso vai mudar. Nunca trabalhei pra valer e na verdade não tenho experiência. Busco a excelência em tudo o que faço, mas raramente consigo. Tenho bons valores morais e comportamentais, mas acho que no fim isso nem conta tanto assim. Como engenheiro químico, acho que fui um bom professor de inglês, apesar de não se ter prova concreta sobre isso.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Contra Maremotos

Eu me lembro que um dia eu estava voltando da escola e você me viu e foi correndo me dar um abraço. Você estava todo sujo, parecendo um tatuzinho. 
Tinha 4 aninhos. Foi tão bom!!! 

Feliz aniversário de 16 anos!!


Eu quero que você tenha mais amores do que eu. E que seja mais feliz também. E não desejo isso pra mais ninguém. A não ser para você e para nossa irmã.
  
Eu abro mão de ser a pessoa mais realizada do mundo.... Para que você seja. 
Nunca estarei feliz se você não estiver.
Eu sou a parte da sua vida que você não pôde escolher. Eu mereço estar aí, nos seus pensamentos, nas suas fotos e na sua casa?
Eu sinto muita saudade e o meu maior sonho é um dia poder voltar a viver com todos vocês. Mas isso não vai acontecer e o meu coração tão bravamente se recusa a aceitar a nossa distância. Eu posso sentir no meu pulsar o quanto eu te amo. 
A sua existência é o vento que sopra no meu rosto quando eu penso que não vale a pena viver. Que me faz viajar e me guia a águas tranquilas, longe das tempestades.

O meu conselho para você neste aniversário é para que você preste mais atenção na nossa família. Algumas pessoas querem ficar mais perto de você e te conhecer melhor. Elas me inspiram bastante, espero que você também tenha muito orgulho de ser quem você é e das suas origens, independente das imperfeições que existem. Nós sempre estaremos aqui. Por você.

Um beijo!

domingo, 18 de setembro de 2011

Procura-se Vivo ou Vivo

Engraçado que sempre que eu procuro pelo meu amor eu o encontro ali, intacto, dentro de mim. E vem de forma tão inesperada. Hoje eu estava assistindo uma série e de repente comecei a chorar porque eu estava amando. E eu acho que amar é um verbo fantástico quando ele não precisa de um complemento. Não amei ao próximo, nem a Deus nem a mim mesmo. Apenas amei. Amei estar aqui. Amei estar respirando. E por um instante eu simplesmente não me arrependi de nada. Só que de verdade. Porque às vezes a gente carrega uma placa luminescente dizendo que faria tudo de novo, que erraria de novo... só para pretender uma certeza.

Eu devo desculpas a muitas pessoas. Só que eu não vou pedir. Não sei julgar merecimentos e não vou esperar mais pelo consentimento do próximo para que eu possa exercer a minha liberdade de. E também não existe complemento para essa liberdade. Liberdade de seja lá o que for.

Quanta coisa eu aprendi e mesmo assim eu continuo sem saber. E se hoje eu não tenho nada do que eu quis foi porque eu sonhei errado. E não há nenhum pecado nisso. Estou reformulando os meus sonhos. E me suicidando um pouco, liquidando aquilo que eu acho que não me faz bem, a respeito de mim mesmo.

Vou contar um segredo: eu não gosto de uma pessoa que está me dando aula e não torço pelo sucesso dela. Juro, não consigo. Sou um péssimo ser humano, não? Bom, não tenho nada a ganhar torcendo contra ou a favor. Apenas me permiti sentir isso. Desculpe por expressar algo tão pouco construtivo. É que sou um pouco invejoso e inseguro. Mas talvez eu também tenha os meus motivos para não aprovar certas atitudes de tal pessoa.

E entre ela e eu, me perdoem a paródia mas... eu me prefiro não 7 x 7, mas 70 x 7 vezes... por dia.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sublimação

No ano 2000, eu estava na sexta série e uma amiga de infância, um ano mais nova, estava participando dos jogos interclasse de vôlei. E a vida é tão tortuosa que hoje nós nem temos contato.
Eu me lembro que no primeiro e único jogo que o time dela participou, elas tiveram que enfrentar a 8ª série, por causa do sorteio. E por uma razão óbvia, elas acabaram perdendo. E eu me lembro que pude ver alguns momentos do jogo porque estávamos no intervalo.
E, sinceramente, a minha amiga não jogou bem. E, perto dela, as adversárias eram gigantes.
Só que por outro lado eu torci tanto por ela que me permiti ser ridículo e apenas amei ver que a minha amiga estava ali, tentando. Por alguns momentos até acreditei que fosse possível uma reviravolta.
Mas não foi.

Um tempo depois eu me encontrei com ela e falei:
- Como você joga mal!

Mas no fundo eu acho que estava dizendo:
- Nossa, te amo tanto e nem sabia.

"E quando nos álbuns de adolescente eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha".
C. Lispector.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Solidariedade

Não gosto de escrever sobre algo diferente de mim mesmo - não por egoísmo - é que sou vulnerável a qualquer crítica que faço em relação a outras pessoas. Porque sei que ao criticar o que não me agrada no próximo eu posso estar lançando uma flecha na minha própria direção.
Mas às vezes é um risco que vale a pena correr.
Por isso, eu apoio a seguinte campanha:



E isso acaba abrindo espaço para eu falar de outras coisas.
Eu particularmente me amo em primeiro lugar. Por que isso é amar a Deus - que não me quer triste e desesperançoso, rezando pelos cantos ao invés de ir à procura da minha verdadeira felicidade.
Em segundo lugar, eu acho que toda e qualquer pessoa que constitui uma bancada política não deve ser movido pelos princípios religiosos, que são, de fato, individuais. O político deve usar de sua inteligência para que a nação seja verdadeiramente de todos. Não vou ser menos genérico na minha visão porque posso ferir pessoas que eu gosto.
E, concluindo, eu acho que eu passei a ser verdadeiramente livre a partir do momento em que busquei em mim mesmo a força da minha fé. E nem por isso eu fundei uma igreja. Nem virei candidato político.
Eu acredito muito em mim e nos momentos em que esse sentimento foi mais forte apareceram várias pessoas tentando apagá-lo. Deus me deu a chance de ser inteligente o suficiente para saber que eu sou dono de mim mesmo e tenho posse do lápis e da borracha que uso para escrever no livro do destino. E sempre que um qualquer tentou escrever à caneta a minha sina, a humanidade foi sábia:
Inventou o corretivo.
Pense por você mesmo, seja feliz e você vai saber que o Céu se vive em Terra.


P.S.: Estou me sentindo muito bonito hoje para ficar em casa. Vou até a padaria para me exibir. Um beijo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Apenas

Quem viaja muito de ônibus já sabe: os primeiros assentos são reservados para idosos. Então nas primeiras fileiras estavam 5 senhoras e eu - não sei ao certo, mas acho que eu era uma espécie de brinde.

E como a viagem é muito longa, pude pensar em tudo o que tenho que fazer. E acho que eu descobri que tenho que ser apenas... e não existe um complemento.
Porque se é isso que dói dizer, então eu digo: Não faço questão de... E também me falta o termo.
É que se por um lado não quero desistir, por outro, sinceramente, não me importo se eu perder.
E não é falta de confiança - é excesso.
E não é excesso de humildade - é falta.
Porque se eu pudesse, acho que eu seria o oposto de mim. Mas ser o oposto é fácil. Difícil é aturar a si próprio quando se conhece tão bem.
E não é falta de amor próprio - é excesso.
Porque eu me amo tanto que aprendi a aceitar tudo que em mim não presta. E não me cobro.
Então no fundo o meu maior defeito é que simplesmente... E não existe palavra que o defina.
Não deram nome a todas as coisas ainda.

E voltando ao ônibus que desembarcou nessa história, sempre que alguém descia e se despedia uma das senhoras falava:
Vai com Deus e Nossa Senhora.
Então eu fui.
Como alguém que deve apenas ir.
Não importa como, não importa aonde.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mario Kart

"Há coisas que posso deixar para trás e outras que não posso".
Quem escreveu isso foi alguém que eu gosto muito.
E hoje eu tomei sorvete, porque não posso deixar de fazer isso, e não li, porque isso eu posso deixar para trás e retomar outro dia.
Hoje eu tentei levantar às nove, mas só acordei às 11. Isso eu não poderia deixar para trás, mas, só pra constar, eu levantei com sono de quem despertou às 6. É que queria aproveitar melhor esses últimos dias de férias. Amanhã tento acordar às 10 pra ver se dá certo.
Hoje eu não comprei minha passagem e não fui ao oftalmologista, porque isso eu posso deixar para depois. Eu joguei videogame e comi 3 sanduíches. Isso eu não posso adiar.
Consegui configurar o modem DSL, porque isso eu não posso deixar de fazer. Mas ainda não arrumei o wireless. Isso eu deixo pra depois. E para outra pessoa.
Hoje eu fiz exercícios para ficar mais magro. Isso eu poderia deixar para trás, mas seguramente eu vou adiar essa atividade quando for realmente preciso. Então uma coisa acaba compensando a outra e aquilo que supostamente eu poderia fazer depois, na verdade, está atrasado há tempos.
Hoje eu lamentei alguns dos meus resultados no mestrado. Não posso deixar isso para amanhã. Mas comemorei outros. Isso é inadiável, mas tende a se repetir, caso eu me esqueça um dia de festejar.
E pra terminar acho que hoje eu não gostaria de ser outro alguém, de estar em outro lugar e de ter outros recursos. Hoje eu gostei de ser quem eu sou, nesse tempo e nesse espaço. E por mais que seja um clichê eu dizer que isso não se pode deixar para trás...

É isso então que eu digo.

domingo, 24 de julho de 2011

Ser tão como parece

Logo quando cheguei na casa dos meus pais, que sem surpresas, também é minha, fui tomar um café e a dona Maria, que é a nossa ajudante, veio conversar sobre tudo. Perguntou como eu estava na minha casa nova e eu disse aquilo que sempre digo:
- Me acostumando ainda.
E ela continuou:
- Quando a sua irmã foi embora eu senti tanta falta. Senti falta de você também. Mas é que ela ficava aqui mais tempo e também quando todos viajavam. Daí ela veio se despedir de mim e deu uma vontade de chorar.
E eu não soube o que dizer. Abri a boca pra falar algo que reconfortasse e transformasse tudo em esperança, mas não consegui. Acho que me faltou humildade. E me pegou desprevenido também. E eu tentei buscar algo na mente que completasse aquilo tudo e que fosse digno à altura, mas eu descobri que eu não tinha isso em mim naquele momento.
Acho que o carinho que ela sente e também a sua humildade são sempre constantes. Fazem parte.
Devo confessar que em mim não é assim, por isso não soube como lidar com aquele diálogo. Eu tenho essas mesmas qualidades, mas vejo que são momentâneas. De forma que eu sinto falta às vezes.
É bom saber que há outras vidas pulsando na gente. Eu gosto tanto de mim quando estou aqui. Apesar dos momentos sem qualidades. Aqui eu encarno muitos deles. Sou tão eu mesmo que até me surpreendo.
Estou vivendo tanto nesses dias que, sinceramente, estou até mais gordo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Outro Eu

Estava no ponto de apoio de uma empresa de ônibus, que é uma parada específica para a limpeza e troca de motorista - quem faz viagens longas sabe do que eu estou falando - e todo esse processo demora demais, cerca de 50 minutos. E esse ponto é basicamente uma minirrodoviária, com algumas plataformas, sanitários, lanchonete e bancos para poucos. E é aí que eu quero chegar.

Assim que desembarquei fui logo sentando num dos bancos extensos que contornavam as plataformas, parecido com aqueles de igreja. E fiquei lá um tempo, meio desarcordado, esperando que viesse ao menos uma vontade ir ao banheiro.

E veio.

Só que quando eu voltei, no lugar em que eu estivera sentado, havia duas senhoras. Então não sei ao certo o que me deu, se foi ganância, posse ou loucura, eu simplesmente cheguei em frente as duas e bati minha mão no ombro de uma delas, numa espécie de chega-pra-lá e disse:


- Abre um espaço aí que eu quero sentar, fazendo um favor.


Uma delas deu uma afastadinha e uma terceira mulher, que nada tinha com a história, também.

E ficamos sentados ali, todos apertadinhos.

E naquele espaço limitado eu comecei a pensar que, meu Deus, como às vezes a gente não é a gente.

Porque se eu fosse eu naquele momento, eu teria ficado de pé. Ou procurado outro lugar para sentar, até porque o local não estava tão cheio assim.

Mas no fundo também achei ruim o fato de uma das mulheres não ter nem se movido. O banco não era dela e, como vocês já podem sentir, ele era meu.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Refração

O Sol real está abaixo do horizonte quando temos a impressão de que ele está alinhado com o mesmo, devido à refração atmosférica. Ou seja, quando vemos o Sol se pondo, ele na realidade já se pôs*.

Nascer, por si só, é uma grande aposta. Não sabemos nem onde, nem quando e muito menos de que forma vamos morrer. Mas essa é uma das menores dúvidas da vida. Não sabemos se vamos casar, ter filhos ou se vamos saber nadar.
Eu acho que sei nadar, mas nunca fui na parte funda. Imagina a surpresa?
A gente diz que viver é uma grande aventura, mas também é uma grande fuga de riscos. Normalmente por uma causa nobre: a gente quer viver mais, a gente quer viver melhor. Mas eu ainda acho que existe um limite situado entre não querer morrer e não desejar viver para sempre.
Estranho, porque parece horrível dizer que você quer morrer quando estiver exausto de tudo isso. Parece traição. E existe o medo também. Medo de morrer mal: temor de quem está acostumado a viver bem. De ver que o seu dinheiro, a sua saúde e a sua vontade já não são suficientes. Já não podem evitar. E a morte é honesta e livre de preconceitos. Carrega qualquer um. Uma dose apenas, mas há controvérsias. Eu particularmente quero morrer uma vez só e sem avisos.
Mas e seu eu morresse agora?
Bom, primeiro: esse texto pararia por aqui. Vamos aguardar.

Olá, não morri. Não comemorem ainda.
Se eu morresse agora eu sentiria muita pena. Tem muita gente pra eu dizer que amo e outras tantas pra eu dizer que elas não me fazem a menor falta - aqueles que pensaram em comemorar. Tem os lugares dos quais sinto saudade e os que eu não conheci. As sensações também. Tem muita coisa que não senti ainda. Mas apesar de tudo, eu perdoaria o destino.
Porém, se eu morrer ano que vem ou daqui 92 anos, atingindo os mesmos 114 anos da pessoa mais velha do mundo, eu sentiria falta das mesmas coisas - com pequenas modificações é claro, mas nada que altere o contexto.

Acho que não quero viver para sempre, mas eu quero ser completo. Quero desvendar a refração e saber o tempo exato - inclusive aquele para sair de cena. Mas que a ilusão continue, para que o meu sol ainda brilhe mais um pouquinho para aqueles que gostam de observá-lo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Planos que eu não tenho

A minha vida é um projeto muito confuso de tentativa e erro. Às vezes eu acho que deveria planejar mais. Só que isso é um sinônimo de fracasso para mim. Porque eu pareço falso, crio expectativas erradas e altero a maluquice do destino.
Quero muito viajar, talvez por consequência da leitura do livro Eat Pray Love, mesmo que a uma velocidade de 0,001 página/mês. Para tanto eu vou precisar economizar e isso é algo que nunca fiz antes. E não é porque sobra. É que me adapto muito rápido ao pouco que ganho.
E tal qual a autora desse livro, eu apenas preciso reconhecer que essa risada escandalosa que invade o meu apartamento é, quem diria, minha mesmo.

Gente, eu estava na beira do caos. Achava tudo aqui muito chato, o mestrado muito chato, as matérias muito chatas... Mas eu me libertei disso. Tudo é muito chato mesmo. Bacana sou eu. Interessante. Atraente. Frete grátis. Mentira! Só atendo a região.
Brincadeira.
Que confusão.
Mas resumindo, é isso que estou vivendo. Acho que toda a poesia e melancolia pediram licença. Eu sou apenas um caderno. E aceito o demérito de sê-lo.
E na verdade sempre houve um plano para mim. Eu estava me culpando por não ser um estudante-filho-irmão-engenheiro perfeito. Mas não é nada disso que se espera de mim. As pessoas me querem em conflito com minhas habilidades, que eu não pare de escrever e que não incendeie o mestrado. Ao mesmo tempo em que desejam que eu seja um filho tranquilo com comentários muito ácidos sobre os casos de família. Um amigo incontrolavelmente instável, que te acha insuportável e não faz questão de disfarçar, mas te adora mesmo assim. Um paranormal não-evangélico que não deixa de usar a foto dos irmãos no visor no celular - o que simplesmente diz na minha cara toda vez que atendo uma chamada: Sim, você é um solteirão.
E para toda essa confusão que existe para ser cumprida, eu sou deliciosamente perfeito.

E o que eu me pergunto é por que, por tanto tempo, eu adotei um modelo de perfeição que não foi feito para mim? É um erro tão comum. Eu sou perfeito sim. E os defeitos já estão inclusos no pacote. O preço meu bem, é um só.
A não ser, é claro, que você não esteja na região.
Brincadeira.

sábado, 14 de maio de 2011

Só dói quando calo

A dor é sempre algo tão novo. Se fosse a mesma, a gente seria acostumado. Só dói quando calo. Então a gente chama um amigo e conversa. Sempre com a desculpa de fazer a dor passar. E, veja bem, não é que passa? Não, é tudo camuflagem. Ela continua ali. A dor é imortal, cumulativa e bordô. Relembrar algo que te machucou, dói. A dor, quando buscada nas lembranças, parece menos intensa. Diz-se então que foi superada. Mas não foi a dor que perdeu a sua força. Foi a memória. Eu me lembro perfeitamente de tudo o que fez o meu coração sangrar. Às vezes perdoei. Por amor a mim mesmo. É uma sentença de morte que eu não quero aplicar ao destino dos fracos. Não quero esse peso para as minhas costas. Seria então: peculiar, porque dor não possui um sinônimo perfeito. Tenta-se explicar, mas para a dor só há hipóteses - o que compreende aquilo que poderia ter sido evitado. Mas repito um conselho:
Nunca evite a dor. E eu vou dizer por que:
A primeira dor que se sente é a de respirar pela primeira vez. Depois vem um tapa, a claridade das salas, o alimento. Passado um tempo pode-se entender os primeiros sons, associá-los. Então se fala. E a palavra é o demônio da dor. Até quando não se diz.
Só dói quando calo.
E quando falo também.


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Sugestão do Victor Ribeiro.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Resumo

Eu tive que engatinhar 150 quilômetros para aprender a andar.
E isso diz tanta coisa que acho que já posso terminar o texto por aqui.

domingo, 1 de maio de 2011

Contra-Honestidade

Eu não quero morrer. E acho que nunca senti isso com tanta intensidade.
E me veio justamente no ônibus essa ideia de querer estar vivo para constar.
Quero estar lá quando chegar o tempo.
E é algo diferente de felicidade.
É egoísmo.
É ganância.
É vontade de ter o que me pertence.
De não deixar o outro roubar.
Eu quero durar.
Quero ser justo com a vingança de alcançar aquilo que pensei não ser capaz de domar.
Quero vencer e esfregar na minha própria cara:
Está aí, você conseguiu. Satisfeito? Agora pega essa droga e enfia no rabo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Em seu lugar

"Em seu lugar Joana, teria colocado mais! Até arrebentar a coluna", foi o que disse a ela, ao ver seus peitos novos. E ela estava bem.
Quando apareceu no trabalho, se assustaram:
- Joana, já chegou?
Mas era efeito dos peitos, porque ela era pontual.
Com tamanho sucesso, não teve dúvidas. Colocou silicone na bunda. Agora com ela ninguém mais podia. No trabalho sempre ouvia:
- Joana, ainda não foi?
Onipresente Joana.

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Este texto é uma homenagem ao Victor e seus peitos novos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Moda: se não prestar, pega

Acho que o nosso país está, mais uma vez, passando por uma situação delicada. Renan Calheiros integrará o Conselho de Ética - do qual já foi alvo - e o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou um projeto de lei sobre o desgastado tema de direito de resposta ao conteúdo publicado por meios de comunicação, e ainda se intitulou vítima de bullying, que é a palavra do momento.

Sobre o primeiro caso, não há o que comentar. É algo que tem vida própria.

O segundo eu acho mais interessante:

As vítimas de bullying constituem uma minoria detestada por uma maioria absurda. No entanto, pelo que foi publicado, Requião recebeu em sua última eleição 2.6 milhões de votos, consagrando-se assim um dos 81 senadores do Brasil. E mais do que isso: uma pessoa pública deve estar sempre pronta para responder todas aquelas perguntas que dizem respeito à sua conduta política e dos benefícios vinculados a ela.

Senador, não se preocupe com a imprensa. O foco do momento é o casamento real e a disputa de ego da Liga dos Campeões.

Pelo que parece, a sua autoestima, assustadoramente oscilante, não agrada ao nosso público. E essa sua forçada reflexão ao direito de expressão tende a não dar em nada.

Até porque às vezes penso que não foi a censura que acabou. A postura lamentável de boa parte da imprensa é que não cria necessidade da sua volta.

Sinto muito por aqueles que se calam - neutralizar, frequentemente, é silenciar - mas vejo que a minoria que ainda se pronuncia não se reserva ao direito de ostentar a faixa de vítima ou de personagens da moda do bullying.

domingo, 17 de abril de 2011

Liberta-me dos Espinhos

Esta é uma mensagem para a dor: venha por inteiro.
Não vou me esquivar, não vou abdicar a oportunidade de viver.
Porque a felicidade é sempre suprema. E superar significa elevá-la sempre mais. Fazê-la ultrapassar.
Estranho porque às vezes me sinto feito de barro. Então quebro e procuro em desespero um nobre artesão para me moldar mais uma vez.
Em mim, penso não encontrar forças.
Mas me engano tanto.
Eu sempre estarei aqui, na mira das flechas.
O artesão sou eu. O barro sou eu. Sou um sistema infinito de vitórias.
Para este novo molde, aprimoro.
Já não sou mais o mesmo.
Agora um artesão mais experiente,
molda o desgastado barro de sempre.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Motivos

Acho que hoje em dia, no mundo, cerca de 10 pessoas acreditam muito em mim. Apostam alto! E pra alguém como eu elas representam uma multidão.
Não que eu seja humilde, é que eu amo demais essa admiração e esse carinho todo.
Se eu tivesse mil vidas, eu tentaria fazer tudo diferente.
Mas acho que eu não conseguiria.
Sou contra aquela filosofia do "não mudaria nada".
Mudaria sim. E muito!
Tentaria ser mais sincero, mais intenso, mais objetivo. E até mais sexy.
E por tentar ser novidade, eu continuaria errando.
O inevitável da vida é que ela é sempre um estreia.
O ensaio nunca é suficiente.
E o improviso é o que se oferece.
Eu adoro ter milhares de defeitos quando percebo que mesmo assim aquelas 10 pessoas gostam de mim.
De tal forma.
Incondicional.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Antídotos

No início da semana eu perdi uma chamada no meu celular e o número era o seguinte:
(19) 324*-*666.
Pensa!
Será que era o capeta?
Ainda bem que não atendi, imagina? "Thiago, você já pode descer".

...

Fui pra Maringá no fim de semana e, pelas ruas, havia um casal em uma moto acompanhado de um rapaz, também de moto. Acontece que eles deviam ser "amigos" e iam lado a lado, o que, para quem está de carro, é um tormento. Acabou irritando tanto que surgiu por parte do pessoal que estava comigo a seguinte ideia perversa:
- Eles são mais do que amigos, ou seja, ménage à vista baby.
Mas pra que tanto disfarce, não é mesmo?
Os três deveriam ter se arranjado de uma vez na mesma moto e montar um belo de um sanduíche. É só colocar a mulher no meio. Os demais motoristas agradecem. E acho que a mulher também.

...

Hoje aconteceu uma situação no mestrado que me fez acordar para o dia.
Um professor estava recolhendo um trabalho que poucas pessoas haviam feito, sendo eu uma delas. Até o momento, tudo bem, pois a entrega poderia ser feita em outras datas. Deixei o meu trabalho sobre a mesa do professor e retornei à carteira para arrumar o meu material e ir embora. Só que enquanto eu me preparava para sair, eu vi que um colega pegou o meu trabalho, sem a minha autorização, começou a folhear e a perguntar para o professor se a maneira como eu havia feito estava correta. O professor se manteve neutro, olharia depois, mas disse que havia várias formas de se fazer a tarefa, já que era basicamente uma simples pesquisa.
Confesso que enquanto os dois discutiam sobre o meu trabalho, eu fiquei bem inseguro e talvez tenha me sentido um pouco desrespeitado.
Ainda bem que essa fraqueza foi coisa de momento.
Pensei melhor e o trabalho, na verdade, está excelente, divino, maravilhoso e, se caso eu tenha cometido alguma falha, terei humildade suficiente para corrigir numa próxima oportunidade. E no fundo eu confio demais no que eu faço e me orgulho muito da minha dedicação.
E o mais importante:
Eu não posso ter medo de vencer.
Hoje, quando me vi diante da crítica, o primeiro pensamento que me veio foi o negativo.
Eu tenho que me libertar dessa péssima mania.
Eu me culpo porque eu deveria ter pensado que, independente do que fosse falado, eu estava satisfeito, e nada poderia mudar isso. Ficou como se eu tivésse traído aquele garoto que passou dois dias inteiros à procura de um bom resultado, de um trabalho exemplar.
Ainda bem que esse momento negro foi extremamente breve e eu voltei a me amar loucamente. E me fez lembrar de que tenho um compromisso comigo. Tenho que permitir que todo o amor, toda a glória e toda a loucura cheguem a mim assim:
sem descontos.

domingo, 20 de março de 2011

Matemática Básica.

Eu sou 50% amor e 50% preguiça.
Bom, eu posso ser 49,875% amor, mas isso torna a conta mais difícil para inteirar os 100% com a preguiça.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Acontecimentos relevantes da semana

1 – A duração da viagem de ônibus entre Mato Grosso e Campinas equivale a uma volta e meia no mundo, quando se viaja de avião. Mas tem o lado bom: o ônibus quebrou 3 vezes. Isso é ruim? Eu nunca vi ninguém falando: Nossa, meu avião quebrou três vezes e eu estou super bem! E fiz uma amizade bem legal (o que chega a ser redundante) durante a viagem, que não teria feito se não fossem os contratempos.

2 – O mestrado começou pra valer e eu simplesmente estou estático. A verdade é que falta automotivação. Estou me sentindo uma ilha. Mas a experiência prova que esse desânimo passa.

3 – E por fim, o mais importante: Hoje é aniversário de uma grande pessoa, que estreia óculos novos e muita sensualidade. Assim como eu, ela é ex-BBB, porém posou nua 2 vezes e teve um caso relâmpago com um cobrador de ônibus, fato já relatado anteriormente. Juliana, você está fazendo 23 anos e está velha pra caramba, sinto muito. Fazer aniversário é algo inevitável quando se está vivo. Fico feliz por você permanecer viva. Nós vimos Cisne Negro juntos e acho que foi a melhor experiência cinematográfica que tivemos. E a mensagem do filme é a que deixo pra você: não tenha medo de vencer, porque naturalmente nós somos destinados a isso. Não sei se você precisa dessa mensagem, até porque você viu o filme mais vezes do que a Natalie Portman. Apenas não acho justo deixar passar em branco essa data e a minha saudade.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Simples

Normalmente as pessoas que pensam ser o umbigo do mundo têm um sério problema com a anatomia. Elas confundem os buracos.
Olá, eu sou uma pessoa normal, parte de um todo.
Tenho habilidades incríveis e sou um ótimo observador. Sou único.
Mas não sou suficiente.
Acho que essa é uma das lições mais poderosa que a vida me ensina todos os dias.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O podre amadurecimento

Tenho mania de escrever sobre maturidade. Talvez porque eu me conheça tão bem a ponto de notar as pequenas evoluções (ou regressos, porque nem sempre amadurecer é estar no ponto - o caminho é tortuoso). Porém o fato de me conhecer bem não me isenta de grandes inseguranças. Tenho medo das minhas decisões talvez porque eu seja intenso demais a ponto de não enxergar que há caminhos de volta. Ou, de uma forma mais simples, eu odeio voltar atrás ou mudar de opinião. Quando isso acontece, perco o rumo e tenho que ficar ensaiando diálogos para convencer seja quem for (inclusive eu mesmo) que tudo o que eu falo e vivo naquele momento tem raízes e explicações tão profundas de tal forma que estamos encarando o inevitável suicídio dos hermafroditas do pequeno município de Aripuanã. Não, não estou dizendo que não aceito sugestões, como alguém que encerra uma palestra e não abre espaços para perguntas. Apenas evito. E morram de medo, eu sou calculista. Tenho uma lógica de pensamento tão bem encadeada e programada que, quando algo não sai do jeito que eu esperava, é como se pintasse no computador o clássico erro da tela azul. E isso é até fantasmagórico, porque sou calculista, mas não sou frio - e dificilmente a gente encontra essas características em conflito. Talvez por isso eu seja um engenheiro que escreve num blog. Poucos engenheiros escrevem em blogs, com exceção dos naturistas e dos pseudo-hermafroditas do pequeno município de Aripuanã, que ao contrario dos verdadeiros, bebem e fumam o dia inteiro, morrendo assim de causas mais do que naturais. Mas eu não me enquadro nesse grupo (apenas para o caso de surgir uma dúvida na cabeça dos meus leitores atentos que também adoram a revista Tititi). Então, no fundo, escrevo para informar que tenho amadurecido o suficiente para dizer que não sou hermafrodita e nem frio. Sei que isso não importa muito para ninguém. É apenas para constar em documento (quase) oficial de que a população hermafrodita do pequeno município de Aripuanã está diminuindo enquanto eu me perco em futilidades retratadas neste texto.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Informativo de última hora

Este é um texto comum sobre uma coisa comum. Então ele não tem a função de escandalizar você. É sobre a descrição de um sentimento. É o extremo sentir que há uma vaga dentro de você. Algo para a qual você abre inscrição e faz entrevistas. Mas no meio-termo nós temos os pequenos vazios, aqueles que sempre nos rondam e se deslocam de tal forma que um novo substitui um velho e isso vai moldando a silhueta da nossa alma. Eu me sinto tão perto de algo extremamente positivo para a minha carreira mas vejo que por algum motivo eu não alcanço. Obviamente eu não consigo identificá-lo. Sinto o mesmo com relação a outros aspectos da minha vida multifacetada e um tanto mística. Parece que falta um passo e quando vejo estou fazendo uma caminhada na direção contrária. É porque me perco um pouco, talvez pela falta de experiência e, em 84% dos casos, por burrice mesmo. Porque a gente às vezes é tão cego e tão mesquinha que nada do que é bom realmente nos parece ser em dados momentos. Eu sonhei tanto com alguma coisa tão mega-extraordinária para o meu futuro e, quando chegou a hora de realizá-la, eu descobri que eu sou humano e, por consequência, posso ser um fracasso. Não, não estou dizendo que este é um parecer final, um super-veredito. Nada disso. Falo de hipóteses. Porque a gente erra e falha todo dia e o nosso maior alvo é o próprio coração e, míopes por natureza, todos aqueles que estão ao nosso redor. Faço uma correção: às vezes erramos o alvo por querer, mesmo com óculos super novos. Seja por misericórdia ou egoísmo. Quem disse que o meu sofrimento é tão grande a ponto de sensibilizar outra pessoa que já tem os dela? Não existe régua para isso. Ouvimos dizer que, se soubéssemos o quanto fulano sofreu na vida, a gente veria que a nossa tem sido fácil. Não! A dele foi difícil e a minha também está sendo, mas de uma outra forma. Uma coisa não neutraliza a outra. Chega de se contentar com o sofrimento dos outros e continuar a viver aos trancos e barrancos. Não chega a ser um desabafo, porque confesso que não é algo tão pessoal. É apenas algo em que eu acredito.

...

A minha vida é muito boa, obrigado e eu sofro muito pouco ou quase nada, grato novamente (por isso, não leia com dramaticidade o parágrafo acima, eu avisei que não era algo extremante pessoal, enfim... sinto muito por estes parênteses, mas é para o caso de você ter memória boa e se lembrar do que leu segundos atrás). Eu falo isso pelas pessoas do meu país. O salário mínimo vai aumentar 5 reais? Vão cortar impostos cujas siglas a gente nem sabe o que significam e o destino do fundo arrecadado quase todos desconhecem? Não é ignorância minha. Sou inteligente (apesar de que em 84% dos casos... enfim, acredito que você leu o parágrafo acima) e bem informado. Lembra daquele passo que disse estar faltando para a minha carreira? É talvez da mesma medida que falta para um jovem entrar na faculdade ou para outro sair do mundo das drogas e da prostituição. É o que falta para o sonho dos brasileiros, alguns com sonhos megafantásticos como eu. Quando olho para o meu país eu sinto algo que eu não sei dizer. É um sentimento comum, mas é indecifrável. Dizem que não importa o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país. Tudo bem. Ficamos então nesse chove-não-molha com cara de quem acredita que tudo está nos conformes.

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De malas prontas novamente. Mais uma casa, mais uma cidade, mais um passo (espero que para a direção certa!).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Saudade só aumenta

Hoje eu recebi uma notícia triste. Na verdade, uma confirmação.
Eu escrevi o texto abaixo após uma conversa por telefone com a minha mãe, quando fiquei sabendo do estado de saúde da minha vó e do parecer dos médicos.
Que não se consolidou.
Minha vó voltou para a sua casa, estava sendo tratada lá e então pude passar algum tempo com ela. Hoje ela partiu. Me sinto aliviado, porque acredito que ela sofria muito. Mas fico triste porque sei que ela queria viver, rever os filhos, netos e bisnetos que estão no Japão. Há tantos motivos para que alguém queira viver e é uma pena que eles dependam tanto do coração dos outros, que às vezes desconhecem, às vezes ignoram.
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Escrito em 19/11/2010:

Você vai fazer tanta falta pra mim.
Há tantas coisas que queria saber sobre você.
Não esperava perdê-la agora, mas eu aceito todas as decisões que a vida toma.
Sinto-me inevitavelmente triste.
A nossa família é marcada por tanta saudade, temos tantas ausências. Você deve ter sofrido muito com relação a isso.
Batchan, de você herdei a oportunidade de ser inteligente, e foi isso o que mais me abriu portas na vida.

Acho uma pena você partir e eu ficar, o mundo perderia menos se fosse o contrário.
Sinto muito pela distância entre nós.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Subúrbio da Alma

Encontrei todos os anjos chorando porque eles sentiam a sua falta.
Sou um corrupto involuntário e inexorável que toca as feridas sabendo que elas existem. Apenas faço brotar a dor.
Tenho uma lucidez entorpecente capaz de atraí-lo para os meus testes de destruição. Então te faço sofrer e dilacerar. Te deixo entre escolhas terríveis e você não pode se curvar ao meu cardápio de desgostos.
O seu destino está restrito ao que eu desejo.
Sou a luz que te guia e o sexo que te motiva.
Sou terrivelmente belo e ágil a ponto de algemar a sua alma imersa em desespero.
Sou teu Deus e o teu temor.
Louva-me e então terá uma pequena parte do que quer.
Desobedeça-me e será apresentado aos infernos que eu reservo especialmente para o seu caminho.
Não que eu seja o mal, é que você me faz assim:
Dono.
Ensina-me o sentimento humilde do amor puro.
Livre de todas estas armadilhas que o acompanham.
Porque em breve usarei o arco e a flecha para rendê-lo,
quando não puder mais tê-lo.
Uma vez acesa a fagulha de minha desconfiança sobre sua partida,
arme o escudo, a cruz e a espada.
E batalhe em prol de sua vida.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Repetitivo

Tenho duas notícias (e logo você vai entender por que as notícias sempre vêm em dose dupla para mim):

1 - Passei no mestrado da Unicamp.
2 - Não sei se vou fazer.

Sei que das duas notícias acima, só uma é novidade.
Depois escrevo mais sobre isso.