sexta-feira, 9 de março de 2012

Sobre telefones sem fio e redes sociais

Vi hoje no jornal que, mesmo se a populacão de Campinas dobrasse do dia para a noite, ainda assim teríamos mais celulares do que gente aqui na cidade. As pessoas têm celular para quê? Para falar, provavelmente? 

Por que as pessoas não tem celular para ouvir? Algumas os têm para afirmar: olha, posso até falar com você de vez em quando, mas não apareça na minha frente, por favor, não quero te ver.

Eu acho que a sociedade passa por um momento engraçado e triste ao mesmo tempo que é a era da solidão. Só que mais do que isso. É um tempo em que é feio ser sozinho. É anormal, é ridículo, é motivo de pena. Então a exposição, a falta de discrição e a vida superfantástica (amigo que bom estar contigo no nosso balão!) são elementos que não podem faltar nas conversas, nas redes sociais, na ideia que os outros têm da gente.

Eu sou uma pessoa sozinha, às vezes solitária, mas sabe, eu acho isso normal. E dou graças a Deus às vezes. Tenho uma vida que segue uma rotina meio monótona, por vezes crio situações novas, saio um pouco, fico em casa - mas faço o que é necessário e o que me traz conforto, quando possível.

E acho que ao ver o quanto as pessoas falam ao celular por horas e horas e horas ou expõe a todo custo o quanto elas estão se divertindo e rindo e transando e curtindo a vida numa boa eu percebo que sou alguém que preza mais pelo autoconhecimento. O que de fato é uma coisa mesquinha: querer conhecer e gostar mais de si mesmo do que dos outros. E, poxa vida, parece que só eu e mais 3 pessoas pensam assim, em meio a tanta badalação, holofotes e capas de revistas.

Eu queria penetrar na alma de algumas pessoas para saber o que elas realmente fazem para si mesmas. Eu queria penetrar na minha alma para saber a mesma coisa também. No fundo, eu sei. Mas é humilhante você reconhecer que algumas atitudes e decisões foram tomadas apenas para servir ao pensamento dos outros. É surreal. É bizarro, como diria uma juventude que já passou.

E lembra que antigamente telefone sem fio era aquela brincadeira em que todos formavam uma fila e tinham que fazer uma mensagem dita ao pé do ouvido passar de pessoa por pessoa e chegar intacta até o último jogador? Era legal, ficava todo mundo pertinho.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vc Sumiu de novo!
Hum concordo com vc! Estamos na era da solidão! Nunca tivemos tantas chances de falarmos uns com os outros e nunca antes a sabedoria foi tão limitada.
Julia Roberts^^ em pretty woman

O Menino do lado__ disse...

Eu acho que a gente é tão diferente em tantas coisas, eu ao mesmo tempo eu me sinto tão parecido com você. Eu só acho que você ainda consegue ser mais discreto, mais sóbrio que eu. Vamos brincar de telefone sem fio? Saudades Thi!