quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dó, a nota musical da piedade

Hoje eu ouvi uma música do Michael Bublé, que diz "cercado talvez por milhões de pessoas eu ainda me sinto sozinho... sinto sua falta, você sabe". Mãe, que saudade. Você me ligou hoje e ao mesmo tempo em que falava com você eu tentava resolver um exercício sobre porosidade de leito fixo. Não sabe o que é leito fixo, mãe? É algo muito menos importante do que a conversa que nós tivemos hoje. Você me perguntou sobre as provas, as despesas e falou sobre a minha irmã, que também irá precisar de sorte com a faculdade (malditas engenharias) e eu estou torcendo muito por ela, mais do que por mim. Eu nem sei se mereço ter tudo que tenho, mas tenho certeza que ela merece vencer. A mesma música também diz "Eu tenho muita sorte, mas eu quero voltar para casa" e é realmente tudo o que eu quero neste instante. Não sinto exatamente tristeza. É um aperto no peito de angústia e medo de decepcionar as pessoas que eu gosto. Só para não esquecer, a música ainda tem um trecho que diz "Este não era o seu sonho, mas você sempre acreditou em mim", então não sei ao certo porque me sinto angustiado. Quero que o tempo passe devagar para dar tempo de fazer tudo aquilo que tenho que fazer... quero que passe rápido para me livrar destes pesos. Se passar muito rápido, já era. Se passar muito devagar, eu explodo.
Meu Deus, como eu estou crescendo. Quando me olho no espelho, eu vejo que estou perdendo meus traços de menino. O meu olhar também está diferente. Mas o que mais me assusta é que, quando vejo um adolescente com seus 15,16,17 anos, eu tenho visões alienígenas. Eles voltaram a ser incompreensíveis. E pelo que a gente aprendeu, só adolescente entende adolescente. As justificativas para as nossas falhas diminuem conforme crescemos e temos que encarar as coisas de frente. Ser dono da situação. Ter controle. Acho que isso é o mais difícil. Por analogia, seria o mesmo que incentivar uma criança a comer verduras para crescer saudável. É horrível. Lembra? Quando você terminava de comer as benditas verduras, recebia alguns elogios falsos e pronto, estava satisfeito. Não pelas verduras e o possível bem que elas fazem, mas por ter recebido a atenção de alguém maior que você. Deus, como pode? Hoje as coisas ainda são assim. Pequenas mudanças de personagens e cenários, mas o enredo é o mesmo. Pra continuar falando de música, estou ouvindo a canção da banda Ben Folds, "Still Fighting It", linda por sinal, que diz:

"Todo mundo sabe que crescer dói
E todos crescem
É tão estranho estar de volta aqui
Deixe-me dizer a você
Os anos passam
E ainda estamos lutando
Você é tão parecido comigo
Sinto muito... "

É estranho mesmo. Quanta gente já nasceu, cresceu e morreu para nos dar o exemplo. E a gente aprende tão pouco sobre viver. Sobreviver. Já contou quantos dias de vida você teve até hoje? Não, não conte. Não vale a pena. Pense só na sua felicidade e no que pode te afastar dela. Eu assisti um filme muito cativante chamado "Ensina-me a Viver" e a trilha dele era repleta de músicas do Cat Stevens. Em uma das canções, ele ensina "Olhe para mim, estou velho mas estou feliz. Pense sobre tudo o que você tem. Você pode ainda estar aqui amanhã, mas seus sonhos não". E eu encerro o musical desafinado dos meus sentimentos com essa canção. Vou dormir e, quem sabe, sonhar.

7 comentários:

Identidades Fragmentadas disse...

Tanta habilidade para falar de um assunto do qual não temos controle. Gostei muito do post, porque ele falade algo vivenciado por muitos. Buscamos, conseguimos, então temos. Mas vale a pena?
Tenho um post no blog que fala desse desejo, o qual sempre tivemos, mas que, em determinados momentos, queremos apenas a simplicidade.
Além disso, a intertextualidade que se dá em seus dizeres e na música ficou perfeita!
Parabéns mais uma vez!

Juliana disse...

Oie!Oie!
Thi!contagem regressiva!!!
falta pouco, muito pouco.
humm por hora soh me arrisco a dizer com muito empenho, "malditas engenharias!"
bjukas
^^ saudades

Ana Aitak disse...

Que coisa bonita menino, você tá crescendo, mas o seu talento já é de um Grande. Fico sem palavras diante do li...emociona.

SUSANA disse...

Nós consumimos mal o nosso tempo e ele nos consome. Às vezes me sinto velha, mas ainda assim sinto que não vivi. Não é o tempo de vida que nos faz experientes, mas o modo como se vive. 20 anos e eu fiz o que deles? Não gosto de ver o tempo passar... Dói muito crescer.

SUSANA disse...

Ah! Vou prestar vestibular no sábado. Ora por mim?
Beijucas.

_Thiago disse...

Claro que sim!!! Vai dar tudo certo =***

o MeninO do lado__ disse...

Amigo, vc não é desnaturado como uns e outros né xD

Quando eu crescer eu quero ser como vc!

Espero que nessas férias vc curta muito tua familia que sempre te faz tanta falta!!

Grande abraço!