segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Promessa do Novo

Disse, em alguma postagem perdida por aqui, que tentaria criar coisas novas. Pois então, aqui está uma tentativa. Espero que gostem. [Nossa, eu estou falando como se eu tivesse uma legião de leitores, cadê o humildade Sir. Thiago?]

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O preço

Olhou pra'quelas pernas. Flertou. As pernas eram tortas, a boca não. As mãos cruzadas sobre a intimidade davam um ar de pureza que ele sentia nojo. Ele gostava era de puta. Recusou uma mulher, uma única mulher em sua vida. Isso porque a sem vergonha, além de ser casada com um cangaceiro feroz, tinha feridas entre as pernas. Ele tinha bebido demais naquela noite e, quando viu as chagas, vomitou sobre os seios descobertos da infeliz, que berrava de nojo, assim como ele. Saiu em disparada, tropeçando no nada que a embriaguez transformava em imensas pedras pelo caminho. Apagou a memória e voltou a pensar na moça de família de pernas tortas que estava deselegantemente sentada a sua frente. A moça era uma besta e, pela postura, parecia ter vestido a blusa com cabide e tudo. Ela estava sozinha e ele se aproximou. Rústico e homem, assim ele era. Ofereceu uma pinga, mas ela não notou que era componente daquele diálogo. Ele falou mais alto, ela estremeceu e voltou o rosto feio para o homem, também feio. Não havia entendido uma só palavra, mas fez que sim com a cabeça. Ele socou o copo de pinga na boca da infeliz, que tomou tudo num gole só. Era pra animar, gritou ele mais uma vez. Ela estava ali, frágil e pequena, diante da virilidade de um homem sujo que socava e socava e socava pinga a dentro, dentro dela. Ela agora era fogo por todos os lados e ria e ria e ria. Sentiu as mãos ásperas e calejadas do homem contornando as suas pernas. O receio se transformou em desejo e ela queria mesmo era se entregar. Até procurou com o canto do olho um local escondidinho para que os dois ficassem mais à vontade e de preferência sem roupas. Achou! Mas não teve coragem de falar do esconderijo para ele. O que ele pensaria? Mas antes de refletir, ela se viu agarrada e arrastada para uma outra moita, e veja você, bem maior que aquela avistada primeiramente. Ele era mais esperto, concluiu ela. Na moita, ele começou a arrancar a blusa de doze reais que ela comprara na feira e ela sentiu o rosto ficar rubro porque lembrou que não estava limpa. Ele abaixou as calças e ela sentia aquele cheiro de pinga com suor com mijo, que na verdade, não saía dos poros dele, e sim dos dela. 'Diacho de mulher porca', ele pensou. Não podia voltar atrás, teria que comer. A mulher parecia um espeto com carne que gira e gira, dura feito aço, com gosto de coisa estragada. E ele que pensava que ela era diferente. Não era. Ou ela era dona de um corpo sem novidades ou ele já havia vivido demais. Ele terminou o serviço, ela estava exausta, passiva, objeto. Ele nada disse, não se despediu e tentou sumir o mais rápido que pôde. Ela era sensível. Já estava com saudade. Saiu correndo em direção ao homem, porque tinha algo muito importante pra lhe falar:
_ Moço, é dez reais.

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Estou muito surpreso com tudo isso. Minhas postagens são diretas, não tenho rascunhos nem idéias pré-moldadas. Saem coisas que até eu duvido! É texto novo, é formato novo, não é o meu forte [se é que eu tenho algum]. Mas... mudar é preciso [só de vez em quando, porque o Thiago subjetivo e doce sempre volta].

3 comentários:

_Thiago disse...

=]

estou tímido. vcs tbm podem ficar. não fiquem. se não quiserem falar sobre o posto, falem sobre a virada do ano

=]

foi fácil escrever esse texto, publicá-lo... nem tanto! mas é loucura, é loucura não postar, é loucura esconder, é loucura não comentar

=]

SUSANA disse...

rsrsrs Calma, moço! Não precisa ficar tímido. É um texto interessante, forte, bem escrito. Gostei dele!

Anônimo disse...

Oi Thiago!
Seu blog me foi apresentado já faz um tempo e desde então venho acompanhando. Gosto do jeito q vc escreve. Parabéns! Quisera eu saber escrever assim...rsrs
Bom... quanto ao ultimo texto postado... é um texto forte (q mulher era essa, heim?..rs) mas foi escrito de uma maneira legal.
Abraços de uma navegante anônima